O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 30/07/2020

As sociedades contemporâneas passam, em função das intermináveis revoluções tecnológicas, por transformações sociais contínuas. Diante esse cenário, Emilie Durkheim teorizou, nas suas Regras do Método Sociológico, qual seria o papel da escola perante as mudanças sociais. Dessa forma, a instituição escolar desempenha o papel de inculcar – nos alunos - os novos valores e costumes próprios de cada tempo. Todavia, essa atuação não seria viável sem a influência da religião cristã e da influência de pedagogia francesa no Brasil.

Mediante o encargo complexo de disseminar os ideais típicos de cada transformação social, a escola recebe sustento indubitável da ideologia cristã. Isso porque o processo educacional brasileiro teve seu início com os Jesuítas, que trouxeram os primeiros escritos e trabalharam para a conversão dos povos originários. Frente a essa influência histórica, o cenário atual é constituído por cerca de 167 milhões de cristãos autodeclarados e mais de 25.000 escolas cristãs - segundo censo escolar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Além disso, a incumbência de inculcamento se apoia no modelo, importado de França, usado pelos pedagogos brasileiros. Esse método consiste na hierarquização da transmissão do conhecimento, sendo o professor autoridade inquestionável dentro da escola. Em linhas gerais, os alunos são dispostos em filas e os educadores ministram as aulas de forma meramente expositiva, impedindo qualquer reflexão crítica ou participação ativa do educando no processo. Com a consolidação dessa metodologia hierárquica, as escolas legitimam sua influência direta na dinâmica social.

Dado o exposto, é evidente que as instituições escolares desempenham papel indispensável para promover os preceitos característicos de cada transformação social. Porém, é necessário que essa atuação se dê dentro de critérios democráticos e humanistas. Para isso, o Ministério da Educação, juntamente com a sociedade civil organizada, deve propor um Programa de Laicização Pedagógica, financiado por verbas advindas do Governo Federal, rearranjadas numa nova diretriz orçamentária da pasta. Sendo assim, o Programa criaria uma rede de pesquisadores e pedagogos para alterar as Bases Curriculares Nacionais. Essas mudanças proibiram as escolas privadas cristãs de ofertarem disciplinas de cunho religioso, além de acrescentar eixos temáticos de diversidade religiosa.  Além dessa medida, esses pesquisadores - financiados pelo próprio MEC - também proporiam uma nova readequação da metodologia adotada em sala de aula, criando esquemas mais participativos de aulas para os educadores. Assim, os educandos passariam para o polo ativo da construção do conhecimento e, dessa forma, torná-los adaptáveis às constantes transformações sociais da sociedade contemporânea.