O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 25/08/2020

Thomas H. Marshall, sociólogo britânico, declara, em seu livro “Cidadania e classe social”, que o exercício pleno da democracia é atingido por meio da garantia constitucional e prática de direitos sociais, civis e políticos para todos a população. Dessa forma, a educação se faz um dos fatores mais importantes na construção de uma sociedade ideal, visto que o ensino permite a ascensão social e financeira dos indivíduos, a compreensão de suas responsabilidades e deveres com a comunidade, e a participação política, por meio da capacidade de argumentar em prol de interesses pessoais e coletivos. Porém, o sistema educacional brasileiro não é capaz de proporcionar todos esses avanços, pois, além de ser baseado em uma lógica pedagógica arcaica, não oferece as mesmas oportunidades para todos.

Entre os fatores que justificam o porquê dessa metodologia de ensino nacional ser ultrapassada, destaca-se a verticalização da relação aluno-professor, na qual o docente é responsável por passar todo o conhecimento, enquanto que o discente age de maneira completamente passiva, assimilando as informações no intuito de, apenas, serem aprovados nas diversas provas. Assim, esse contexto contraria a tese do livro “Pedagogia da autonomia” do filósofo e patrono da educação brasileira, Gilberto Freire, que disserta sobre a necessidade de se substituir a educação “bancária” vigente por uma modalidade “libertadora”. Nesse modal, os saberes são transmitidos horizontalmente, aumentando não só o grau de engajamento dos estudantes com o estudo, mas também a utilidade prática de seus conhecimentos em um ambiente externo à escola.

Além disso, para que essas medidas sejam realmente efetivas, deve-se passar a respeitar o artigo 205 da Constituição Federal, que diz que a educação é direito de todos e dever do Estado. Isso ocorre, pois o Brasil possui uma discrepância histórica muito grande na qualidade de ensino oferecida às diferentes classes sociais. Desse modo, os mais ricos têm acesso a instituições privadas, que apesar de ainda manterem uma modalidade educativa ineficiente, contam com professores bem capacitados e estruturas de salas e espaços de convivência decentes. Enquanto que a maioria da população é obrigada a conviver com espaços de educação depreciados e professores desinteressados. Assim, observa-se que os altos indices de evasão escolar são justificados pelo baixo orçamento das escolas, aliado ao atraso em relação a mudanças graves na metodologia pedagógica.

Frente ao exposto, para que haja uma efetivação de uma das características mais importantes do texto máximo do Estado brasileiro, a de ser uma constituição “Cidadã”, o Ministério da Educação deve aumentar as verbas destinadas às escolas e alterar o modo como o ensino é direcionado dentro dessas instituições.