O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 03/08/2020
No filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, é retratada a trama de um professor, que ensina aos alunos os valores da educação, e defende o pensamento autônomo individual. Fora da ficção, esses ideais não são demonstrados aos jovens, fato que impede a ocorrência de transformações sociais no Brasil. Isso acontece uma vez que o ensino no Brasil se perfaz sob um viés elitista e as escolas verde-amarelas são conteudistas.
Em primeiro plano, salienta-se que o ensino brasileiro é elitizado e segregacionista. Isso porque o Poder Público negligencia os cuidados às instituições pertencentes ao governo e que são necessárias à parte populacional que não possui condição de pagar pelo ensino. Isso ocorre pois as verbas que deveriam ser utilizadas para investir em excelência acadêmica são desviadas para outros fins, como a construção de estádios ou desvio por escândalos de corrupção. Assim, torna-se evidente o pensamento de Sérgio Buarque de Holanda na obra “Raízes do Brasil”, que afirma que o Brasil foi historicamente formado por segregação social. Dessa maneira, os indivíduos encontrados economicamente à margem da sociedade não possuem amplo acesso educacional, se mantém excluídos da educação íntegra, e os que possuem alta renda, acabam por apresentar o pensamento crítico mais desenvolvido em academias privadas.
Posto isso, pode-se ressaltar que as instituições de ensino -até mesmo as particulares- são conteudistas, e por isso não focam em esclarecer ou incentivar as transformações sociais no país. Tal fato é produto da cultura opressiva vigente no país, na qual o indivíduo encontra-se pressionado à tirar notas altas nas matérias que constam na grade curricular, visando constantemente a aprovação. Rubem Alves, escritor e psicanalista, teorizou a existência de dois modelos de ensino: escolas “asa” que encorajam o aluno a expandir o pensamento, e “gaiola”, responsável por desestimular a criticidade própria do aluno. Analogamente, observa-se que as academias tupiniquins se perfazem sob o modelo gaiola, uma vez que o indivíduo apresenta unicamente a necessidade de apresentar bom rendimento curricular, e acaba por não desenvolver o pensamento próprio.
Sendo assim, é notável que as transformações sociais poderiam ocorrer em terras brasileiras se o quadro conteudista e segregacional fosse revertido. Diante disso, faz-se necessário que as ONGS-Organizações Não Governamentais- pressionem o Ministério da Educação à realizar as reformas necessárias no ensino público brasileiro, o que deve ocorrer por meio de abaixo-assinado virtual em plataformas como Twitter e Instagram, com o fito de mudar a grade curricular estudantil incluindo matérias lúdicas como habilidades de vida. Nesse prisma, promover-se-iam transformações sociais.