O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 06/08/2020
Desde a povoação do Estado brasileiro, a distribuição de terras se deu de modo desigual, os escravos e a camada mais pobre da população não tinha direito a educação e a mobilidade social era quase inexistente. Entretanto, com a constituição de 1988, a educação passou a ser um direito assegurado pelo Estado a todos e com isso, a ideia de mobilidade social a partir do esforço passou a ser pregada. Porém, na prática, as discrepâncias sociais ainda persistem. Nesse segmento, a educação de caráter transformador social, ainda é proporcionada a poucos e a educação expositiva a grande maioria, pobre e negra. Nesse contexto, dois fatores não devem ser negligenciados, como: a falta de acesso a educação pela população que se encontra em vulnerabilidade social e a proporcionalidade de oportunidades ao poder aquisitivo e cor de pele.
Mormente, a falta de acesso a educação pela população que se encontra em vulnerabilidade social viola o “Contrato social” proposto pelo filósofo contratualista John Lock, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que tais cidadãos gozem dos direitos imprescindíveis (como o direito a educação de qualidade) para a manutenção de igualdade entre os membros da sociedade.
Em segundo lugar, a proporcionalidade de oportunidades ao poder aquisitivo e a cor de pele reforça a teoria filosófica determinista social que prega que o local em que o indivíduo nasce determina sua maneira de ser e agir. Dessa forma, indivíduos que nascem em famílias pobres e sem acesso a educação, continuarão sem recursos e privados da educação, já indivíduos que nascem em famílias ricas e privilegiadas, continuarão gozando de riquezas e privilégios.
Destarte, a fim de que a educação transformadora seja acessada por todas as camadas sociais, urge que o Ministério das Cidades construa escolas em todos os bairros para que atenda a toda a população, inclusive as mais distantes e que não consegue ter acesso a escola. Outrossim, torna-se imperativo que o Ministério da Educação invista mais em pesquisa e extensão, com incentivo de bolsas remuneradas, com intuito de que os alunos com menos poder aquisitivo consiga apenas estudar e não seja necessário trabalhar no horário contrário a escola. Somente dessa forma, as raízes do preconceito e desigualdades sociais serão destruídas e o determinismo social não se aplicará, pois todos os indivíduos terão acesso a educação transformadora e poderão estudar em tempo integral.