O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 10/08/2020

É de conhecimento popular que houveram mudanças intensas entre o método de ensino que se visa alcançar hoje e o modelo educacional das últimas gerações, especialmente quanto ao papel do aluno em sala de aula. Entretanto, visto que o Brasil é um país que ainda apresenta carências dentro dessas políticas públicas, essa discussão se estende, já que apontar o mérito social da educação e observar como a mesma se expressa de acordo com a classe econômica de cada região é de suma importância para a compreensão desse debate.

Primeiramente, é importante observar que a concepção de que a escola seria um mero estabelecimento destinado a passar conteúdos didáticos é antiquada devido a sua importância para com o corpo social. Segundo o sociólogo Karl Marx, a educação deve ser vista como um instrumento de transformação social e não uma educação reprodutora dos valores do capital. Diante disso, é crucial o entendimento de que o colégio é necessário tanto didáticamente quanto - sobretudo - socialmente, e faz-se fundamental para despertar e estimular o senso crítico dos alunos.

Por conseguinte, é evidente que esse novo método de ensino não chega a todos da mesma forma ou com a mesma eficiência e a maior causa para esse fenômeno é a divisão da população em classes. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, o grau variado de sucesso alcançado pelos alunos ao longo de seus percursos escolares não poderia ser explicado por seus dons pessoais, mas por sua origem social, que os colocaria em condições mais ou menos favoráveis diante das exigências escolares. Isto posto, mesmo com todos os benefícios da educação transformadora, ela ainda é um cenário utópico no Brasil, visto que o mesmo é o sétimo país mais desigual do mundo conforme dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Dessarte, é mister a ação do governo para a possível implantação deste novo modo didático e para a resolução do problema. Visando diminuir a dicotomia entre as instituições escolares, urge que o Ministério da Eduacação (MEC) crie, por meio de verbas governamentais, políticas públicas que beneficiem escolas de regiões mais pobres, dando privilégios para os funcionários e professores das mesmas. Só assim, será possível a construção de uma sociedade mais igualitária e acolhedora a todos, e, ademais, a implatação da educação transformadora em todas as realidades.