O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 09/08/2020
A Grécia Antiga foi uma civilização cujos avanços, em grande parte, podem ser atribuídos à importância que seus intelectuais davam ao pensamento, à reflexão e, sobretudo, à educação. Sócrates, Platão e Aristóteles - filósofos célebres - foram exemplos disso. Nesse sentido, o Brasil é um país que ainda não dá a devida importância ao valor que a educação possui em fomentar transformações positivas em uma sociedade, uma vez que apresenta inúmeros métodos de ensino ineficazes. Vale, portanto, analisar as razões desse fenômeno problemático, as quais, sumariamente, podem ser atribuídas à ausência de instrução de como pensar eficazmente, bem como à excessiva quantidade de informação que é despejada aos discentes.
A princípio, é inegável que ser capaz de pensar e refletir adequadamente sobre tópicos relevantes à sociedade é fundamental para que boas escolhas sejam feitas; quer para o próprio futuro, quer para o de toda uma comunidade. A filósofa política Hannah Arendt corrobora esse pensamento. De acordo com seu livro “Eichmann em Jerusalém”, pensar habilmente é algo tão importante que, além de evitar problemas morais e sociais, pode estimular o desenvolvimento de qualidades comunitárias necessárias à empatia e ao respeito mútuo entre as pessoas. É sabido que essas qualidades são imprescindíveis para que transformações de caráter positivo ocorram em uma sociedade.
Entretanto, em sua maioria, o sistema educacional brasileiro é contrário a essa prática, fato evidenciado pela demasiada quantidade de informação desnecessária que é descarregada sobre os alunos. Sucintamente, para Yuval Harari, que é historiador e escritor, o excesso de informação que o mundo moderno disponibiliza torna o papel da escola - no caso, o de simplesmente dar conteúdo - obsoleto. Por essa razão, é essencial que essa conduta infrutífera seja substituída por um ensino que mostre aos alunos como administrar as ideias, os assuntos e os conteúdos aprendidos na escola; ou seja, como pensar habilmente.
À vista disso, cabe ao Ministério da Educação disponibilizar verba para que as escolas capacitem seus professores a lecionarem adequadamente sobre a lógica - campo de estudo desenvolvido na Grécia Antiga, o qual, em suma, ensina a pensar apropriadamente. Desse modo, por meio de aulas interativas, esses profissionais, devidamente capacitados, devem ajudar os alunos a desenvolverem as capacidades do pensamento. Somado a isso, para que não apenas os alunos mas também os que pararam de estudar se tornem aptos a pensar melhor, é necessário que essas mesmas escolas realizem palestras, de forma que essas ideias cheguem à maior quantidade possível de pessoas. Assim, é concebível que a educação, de fato, faça transformações sociais positivas no Brasil.