O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 14/08/2020

Durante a Idade Moderna, a Reforma Protestante foi um evento provocado pela contestação às práticas exercidas pela Igreja Católica no período. Nesse contexto, Martinho Lutero foi um dos defensores da Educação pública, pois a via como uma ferramenta de questionamentos à ordem religiosa vigente. Contudo, no contexto contemporâneo brasileiro, a defesa da educação como processo de transformação social foi substituída pelo estudo como meio de acesso ao mercado de trabalho. Nota-se, então, que a subvalorização da educação nacional, por parte das elites econômica e política, ocorre em razão de interesses exclusos, haja a vista a preocupação dos poderosos para com a formação de uma mentalidade popular questionadora.

Antes de tudo, é importante mencionar a defesa de grupos privilegiados à manutenção sistema educacional atual. A esse respeito, um dos estudiosos da Escola de Frankfurt, Herbert Marcuse, defendeu a ideia de que a educação cultural burguesa impede a ocorrência das transformações sociais. Dessa forma, o filósofo acreditava que as escolas também possuem o dever de garantir a formação de jovens questionadores à ordem social vigente. Todavia, a preocupação exclusiva de muitas escolas no que se refere ao mercado de trabalho ocasiona um atraso no desenvolvimento de uma mentalidade mais crítica aos jovens. Por conseguinte, vê-se uma manipulação dos estudantes por uma elite econômica que se beneficia com a falta de julgamentos sociais a suas ações.

Outrossim, é imperativo salientar que Estado deve assumir uma função primordial na construção de uma educação transformadora. Acerca dessa premissa, a Constituição brasileira de 1988 garante que o direito à educação universal é inviolável. Entretanto,  a presença de estruturas de ensino precárias, bem como a manutenção de um ensino tecnicista, mostra que não há, por parte do poder público, a preocupação necessária à qualidade das escolas. Portanto, observa-se que a negligência de setores estatais na minimização do impasse impossibilita a ocorrência de transformações sociais e de indagações às ações políticas.

Em suma, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com o Legislativo, por intermédio da aprovação de um projeto de lei, promover modificações na didática dos livros de Ciências Humanas. Entre tais mudanças, espera-se que as abordagens histórica e filosófica se tornem mais compatíveis para com a formação de uma sociedade semelhante à defendida por Marcuse e escrita na constituição. Assim, espera-se promover um abandono gradual de um ensino tecnicista e aproximar-se mais da formação crítica de jovens aos mais poderosos. Com isso, será possível que as transformações sociais necessárias à sociedade brasileira ocorram da mesma forma que Martinho Lutero planejou há séculos.