O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 17/08/2020
“Os filhos tornam-se para os pais, segundo a educação que recebem, uma recompensa ou castigo”. Com essa frase, o pensador Petit Senn sintetiza o valor que a formação escolar tem no caráter social de um jovem. Dessa forma, a má qualidade da educação básica no país é fundamental para a manutenção da desigualdade social, uma vez que se cria uma lacuna entre aqueles com acesso a uma educação de qualidade em relação à população marginalizada. Assim, é necessária a adoção de medidas de forma a contingenciar essa diferença, causada tanto pela ineficiência de políticas públicas, como também a dificuldade dos pais em acompanhar os estudos dos filhos.
Mormente, a diferença no ensino no Brasil, entre as instituições públicas e privadas, é fulcral para tornar a problemática mais expressiva. Sob essa ótica, o filósofo John Locke conceitualiza o “contrato social”, o que torna obrigação do estado o bem-estar do povo. Entretanto, o Ministério da Educação publicou uma pesquisa a qual informa que o resultado dos alunos oriundos de escolas particulares foi quarenta por cento superior aos demais estudantes, o que mostra a ineficiência governamental em prover educação de qualidade. Logo, é mister a necessidade de políticas mais eficientes de promoção do ensino para toda a população.
Ademais, o ritmo célere do cotidiano hodierno restringe a educação estabelecida entre os pais e os jovens. Nesse sentido, o escritor Zygmunt Bauman, sob o conceito da “Modernidade Líquida”, explica as fragilidades das relações sociais na atualidade, pois, apesar do advento de novas ferramentas de comunicação, as ligações entre as pessoas estão cada vez mais “líquidas”. Analogamente, os progenitores, em seu papel fundamental na formação educacional dos filhos, muitas vezes o relegam à outras atividades, como o trabalho ou lazer. Dessa maneira, os jovens não têm o suporte necessário dos pais na complementação dos estudos, o que prejudica o seu processo de aprendizagem.
Portanto, fica evidente a necessidade de atenuar o problema em questão. Destarte, o Governo Federal, setor responsável por fomentar o ensino público no Brasil, deverá investir na educação de base, até o fim do ensino médio, por meio do aumento da provisão orçamentária para o Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica), com o intuito de diminuir a desigualdade educacional na sociedade, assim como fortalecer a qualidade do ensino no país. Adicionalmente, os pais devem dispender mais tempo auxiliando o processo de aprendizagem dos seus filhos, o que fará com que eles não se tornem um castigo, mas sim uma recompensa.