O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 24/08/2020
A invenção da imprensa, na transição da Idade Média para Idade Moderna, século XV, tornou possível, por meio da redução dos custos de fabricação de livros e de enciclopédias, a difusão de conhecimento e a redução das taxas de analfabetismo. No entanto, embora a tecnologia tenha mitigado entraves no processo de aprendizado, o cenário hodierno brasileiro, no que tange ao acesso educacional amplo e de qualidade, encontra-se deturpado. Esse panorama nefasto ocorre não só em razão dos ínfimos investimentos, mas também na manutenção de injustiças sociais.
Em primeira análise, vale destacar que, segundo Jornal G1, 2017, o Estado tem limitado regularmente os investimentos em educação desde a década da Ditadura Militar. Nessa perspectiva, a conduta irrefletida do país perpetua injustiças históricas e atrasos sociais, visto que os mais atingidos são negros e a camada mais pobre da população. Essa conjuntura, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, configura-se um ambiente “patológico”, em crise, que rompe com seu desenvolvimento, uma vez que um sistema desigual não favorece o progresso coletivo. Nesse viés, a ideia de uma sociedade mais justa, defendida pela Constituição Cidadã, transfigura-se em um quadro cada vez mais distante, pondo em xeque o equilíbrio social.
Outrossim, consoante às ideias da socióloga Sandra Unbehaum, a educação é imprescindível no combate à pobreza e no fortalecimento da democracia. Seguindo essa linha de raciocínio, é possível afirmar que a dissemelhança social brasileira está atrelada, indubitavelmente, com o alheamento do Estado em assegurar direitos básicos dos cidadãos. Dessa maneira, o absentismo do corpo executivo em questões elementares, como direito à educação, expande os abismos sociais de maneira vertiginosa, haja vista que ações para reverter tal contexto são postas em último plano. Desse modo, há a perpetuação das disparidades coletivas em virtude do alheamento estatal. Depreende-se, portanto, a relevância da igualdade ao acesso à educação no Brasil. Para que isso ocorra, é necessário que o Estado, junto ao Ministério da Educação, faça um mapeamento das regiões que mais carecem de recursos, e, por meio de investimentos compactos, contenha as disparidades no acesso educacional de qualidade, a fim de promover a igualdade em direitos essenciais ao desenvolvimento do país. Assim, haverá um ambiente estável que colabore com a acessibilidade geral à educação no país e que respeite os princípios da Constituição Cidadã. Com efeito, as injustiças sociais serão gradativamente vencidas.