O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 24/08/2020

Em sua obra distópica “Admirável Mundo Novo”, Aldous Huxley defende sua tese de que a alienação não ocorre em virtude da censura ou da falta de dados, mas é fruto de uma sociedade cada vez mais incapaz de consumir análises densas e que, por conseguinte, opta pela ignorância. De maneira análoga, desde a Terceira Revolução Industrial, com o advento da internet, paradoxalmente tem se observado que, conquanto a acessibilidade ao conhecimento tenha crescido, grande parcela da população não sabe consumi-lo. Nesse contexto, as escolas devem agir, não como meras difusoras de conhecimento, mas como mecanismos de transformação social e emancipação, capazes de fornecer aos alunos as ferramentas necessárias para que exerçam ativamente sua cidadania.

Antes de tudo, deve-se ressaltar a importância do direito à educação, assegurado pela Constituição Federal de 1988, no que se refere à construção de uma sociedade mais justa. Isso é evidenciado, quando se analisa a ascensão econômica da Coréia do Sul, país que, completamente assolado pela Guerra da Coréia na década de 50, elevou-se à posição de potência econômica no século XXI pelo investimento à educação. Desse modo, ela tornou obrigatórias as disciplinas relacionadas à tecnologia, concentrou-se em prover acesso universal às escolas primárias e secundárias, e reforçou o aprendizado centrado no aluno o que promoveu, a longo prazo, a mobilidade social.

Todavia, embora a educação seja essencial para que haja o decrescimento da desigualdade social, é exatamente essa disparidade econômica que impede que ela seja distribuída de maneira uniforme. Depreende-se, dessa forma, que um dos fatores mais significativos no que concerne à evasão escolar é a renda média familiar brasileira, que corresponde, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a 1268 reais. Em vista disso, estabelece-se uma relação entre renda e grau de escolaridade, uma vez que, desde cedo, jovens mais desfavorecidos economicamente têm de conciliar os estudos com o trabalho. Isso, entretanto, é inúmeras vezes inviável, devido à falta de tempo, fadiga física e mental, além da inacessibilidade a um transporte de qualidade. Esses alunos decidem, então, abandonar a escola, dada a crença de que as matérias ensinadas não serão úteis em suas profissões.

É imprescindível, portanto, que o Ministério da Educação institua canais de atendimento psicológico gratuitos nas escolas, por meio da capacitação e contratação de psicopedagogos. Esses, por sua vez, não só serão responsáveis pelo monitoramento do rendimento dos alunos, como também traçarão um perfil personalizado às suas necessidades que, ao levar em conta suas afinidades e particularidades socioeconômicas, visa a reduzir a evasão escolar. Assim, promover-se-á a emancipação intelectual dos jovens e homogeneizar-se-á o acesso à educação, peça-chave para que haja uma revolução.