O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 24/08/2020

Na Grécia Antiga, Sócrates, um dos fundadores da filosofia ocidental, defendia que o conhecimento não é imposto, mas construído com o indivíduo, dando condição para ele desenvolver a capacidade de pensar. Somente assim, o sujeito estaria apto para edificar uma sociedade melhor. Tal destaque dado pela opinião do pensador evidencia a necessidade de reformular a educação em prol de transformações sociais, fato que, apesar de fundamental, não é tão expressivo na atualidade.

Em primeiro lugar, é preciso entender o real valor das instituições de ensino e como elas podem ajudar a resolver problemas do nosso tempo. Segundo a ideia de modernidade liquida do sociólogo Zygmunt Bauman, em suma, vivemos em uma sociedade imediatista, que nega o planejamento e não valoriza medidas que darão resultado a longo prazo. Assim, em um contexto de desigualdade, discriminação e crescimento da violência, começar mudanças pela escola não é só importante, mas essencial. Paulo Freire, respeitável educador e filósofo, já confirmou essa relevância quando afirmou que sem a educação a sociedade não muda.

No entanto, é fácil perceber que tais interesses de Freire não são tão reconhecidos e essa função da instituição educacional é deixada de lado no Brasil, confirmando ainda mais a noção hodierna de Bauman. A era dos concursos, dos vestibulares, da valorização do ensino superior chegou às escolas, e o que é dado em sala tem apenas um objetivo: a aprovação. Campanhas de arrecadação de alimentos, debates construtivos, visitas a instituições, discussões focadas em direitos humanos e atividades práticas não são mais encontradas na agenda das aulas. Se não há incentivo a essas ações, não há por que entender o valor do meio nas transformações sociais. As alterações, então, não devem começar só pelas causas, mas também pela própria necessidade de se entender essa importância.

Fica claro, portanto, que, apesar de crucial, o papel transformador da educação não tem sido aproveitado no Brasil, sendo necessário não só entender essa relevância, mas também encontrar nas instituições ferramentas para essas ações. Nesse sentido, o governo deve direcionar verbas, para que o Ministério da Educação e a mídia possam trabalhar, também, difundindo valores. Campanhas cobrando mudanças por parte das escolas precisam ser divulgadas, evidenciadas por meios de comunicação como redes sociais, televisão e jornais. Além disso, ONGs e as próprias famílias, em conjunto, devem exigir tais aplicações e retorno das autoridades, de forma que, pouco a pouco, a frase de Paulo Freire realmente faça sentido e o modelo de educação defendido por Sócrates, ainda na antiguidade, alcance todo o país.