O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 26/08/2020

Num espetacular trecho de “A Menina Que Roubava Livros”, obra do célebre Markus Zusak, a personagem Liesel observa uma queima de livros na Alemanha nazista, cujo objetivo era destruir literaturas que se opunham ao regime da época devido receio que tais textos promovessem um pensamento crítico e revolucionário. Dessa forma, fica evidente que desde o século XX, validavam o ideal de Paulo Freire, um brilhante pedagogo, no qual sintetiza a educação como fundamental para a transformação social. Infelizmente, a sociedade contemporânea brasileira não está comprometida com tal valor, haja vista que políticas públicas encontram-se em estado de inércia, o que resulta, sobretudo, na evasão escolar.

Em primeira análise, é necessário ressaltar que o desamparo governamental é um empecilho para a alteração desse quadro. Segundo Nelson Mandela, brilhante ex-presidente da África de Sul e vencedor do Nobel da paz, a educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo. Em contrapartida, é notável que, para que tal ferramenta seja usada, é necessário que se possua as peças para a sua construção, promovidas por meio do ativismo do poder público, conforme está garantido no artigo 205 da Constituição de 1988, no qual discorre que a aprendizagem é dever do Estado. Logo, enquanto os dispositivos legais não forem exercidos, a arma do retrocesso é produzida e a cidadania será, consequentemente, desrespeitada.

Por conseguinte, a falta de incentivo dos poderes públicos alimentam o abandono escolar, uma vez que os alunos se sentem desmotivados em dar continuidade aos seus estudos. A terceira lei de Newton, elaborada pelo renomado cientista Isaac Newton, discorre que toda ação gera uma reação.  A partir dessa teoria, pode-se afirmar que a ação de descuido com o aprendizado dos indivíduos, denotada pela falta de recursos materiais e por uma infraestrutura inadequada, gera a reação de desinteresse pela manutenção do ciclo estudantil. Desse modo, os estudantes abdicam de seus privilégios educacionais, produzindo, então, um corpo social desprotegido de seus direitos.

Portanto, medidas precisam ser tomadas para que a cidadania seja respeitada. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) deve investir financeiramente nas escolas, pintando suas paredes para que sua infraestrutura se torne esteticamente agradável e contribuindo com objetos lúdicos para que os docentes tornem o ensino mais prático e fácil. Ademais, o Ministério da Educação e Cultura (MEC), em parceria com os agentes midiáticos, deve promover campanhas de conscientização nas redes sociais sobre a importância do ensino, a fim de diminuir a evasão das instituições acadêmicas. Somente assim, diferente de Liesel, a sociedade não verá a educação se tornar cinzas.