O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 26/08/2020

No livro “Viagem ao centro da terra” o autor, Julio Verne, mostra como a educação pode assumir um papel transformador do caráter e da conduta de um individuo quando o professor Lindenbrook muda a vida de seu aluno, Axel, ao converte-lo de morador de rua para um brilhante cientista. Fora da ficção, no Brasil, não só a ineficiência política, mas também a falta de acesso à Escola se apresentam como entraves para que a educação assuma este papel. Por isso, medidas são necessárias para reverter este quadro.

Em primeira análise, é fundamental ressaltar que, para o filósofo Aristóteles, “a política tem como função promover o alcance aos direitos dos cidadãos”. Além disso, o artigo 205 da Constituição Federal de 1988 diz que é dever do Estado garantir o acesso à educação a todo e qualquer brasileiro. Entretanto, segundo uma pesquisa realizada pela Folha de São Paulo, as verbas destinadas a educação sofreram uma redução de 30%, além de que os incentivos para a iniciação científica reduziram-se à metade nos últimos 3 anos, o que categoriza a ineficiência política neste cenário. Dessa forma, torna-se importante criar meios para promover o investimento nessa área.

Ademais, é necessário lembrar, ainda, que o Brasil tem proporções continentais, uma vez que a sua área tem cerca de 8,5 milhões de quilômetros quadrados e isso, certamente, dificulta a aproximação entre algumas regiões e a Escola. Em adição, de acordo com dados da revista “Superinteressante”, 25% da população da região Norte nunca teve contato com o âmbito escolar, visto que a dificuldade em se acessar algumas áreas, como a Amazônia, apresentou-se como principal obstáculo para educação nessa localidade. Além disso, para o escritor e colunista Fabrício Carpinejar “a educação, a escola e o professor são banquetes que muitos brasileiros do norte não irão desfrutar”, evidenciando a grande discrepância educacional entre as regiões do Brasil. Dessa maneira, é indispensável criar formas de integrar essas regiões.

Por conseguinte, entende-se que é primordial que o Governo brasileiro elabore formas para que o investimento na educação não se reduza, por meio de incentivos fiscais, como abatimento de taxas e isenção de impostos, para empresas privadas do ramo do ensino, bem como por intermédio do encaminhamento direto das verbas do Governo, uma vez que é sua obrigação constitucional. De maneira análoga, urge que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério de Infraestrutura, integrem as regiões deficitárias, mediante uma campanha de inclusão que leve a Escola à locais de difícil acesso, por meio de barcos-escola para as regiões amazônicas para que as pessoas possam ter uma experiencia de transformação como a de Axel no livro “Viagem ao centro da terra”.