O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 30/08/2020
O documentário “O Invasor Americano” retrata o desenvolvido sistema educacional dos países emergentes da Europa e como é fulcral a escolarização da sociedade, visto que a educação é uma das principais formas de modificar a realidade individual e coletiva. Entretanto, devido à pouca valorização da educação como agente de transformação social, esse panorama ocidental não caracteriza a contemporânea situação brasileira. Nessa conjuntura, convém avaliar as raízes dessa problemática que mesclam conflitos entre áreas governamentais e sociais.
É relevante abordar, primeiramente, que a sociedade brasileira possui uma vasta disparidade econômica. Consoante ao filósofo iluminista Jean-Jacque Rousseau, a civilização humana é a base da desigualdade social entre os homens, ou seja, a dinâmica da sociedade gera pobreza. Sob essa ótica, é notório que os altos índices de desigualdade, herdados do período colonial, prejudicam a hodierna nação, pois a baixa e precária educação condiciona o menos favorecido financeiramente a um ciclo de defasagem capital. Dessa maneira, a formação educacional mostra-se como uma poderosa ferramenta de inclusão e ascensão de uma sociabilidade.
Ressalta-se, ademais, que a mecanização do ensino dificulta a aplicabilidade da sapiência como transformadora de cenários sociais. Para o educador Paulo Freire, “A educação, necessariamente, deve ser libertadora”, o que implica em dizer que a escola deve garantir o pensamento critico e autônomo do sujeito numa determinada sociedade. Todavia, o Brasil, que ainda segue os moldes da educação tradicional, obriga os jovens alunos a conviverem com uma escola que não dialoga com as necessidades dos educandos. Nesse prisma, os discentes fortalecem o pensamento de que o estudo limita-se a uma obrigação letiva, assim, negligenciando a criticidade individual e a possibilidade de mobilidade social.
Por conseguinte, fica evidente a necessidade de investimento na educação, principalmente em escolas com baixos recursos. Nesse âmbito é necessário que Ministério da Educação promova um maior investimento em infraestrutura e um projeto pedagógico que estimule uma maior interação na comunidade escolar, isto é entre os alunos e a relação aluno e professor, por meio de um financiamento, em associação com o FUNDEB, a fim de consolidar o processo educador no país. Outrossim, ainda cabe ao poder público reformular a grade curricular das instituições de ensino através da adoção de aulas mais dinâmicas e da flexibilização de conteúdos voltados para a importância do saber ético, político e intelectual na vida do ser humano. Com efeito, o Brasil terá um sistema educacional semelhantes ao da Europa Ocidental com cidadãos engajados na comutação popular.