O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 02/09/2020

Três em cada dez brasileiros são analfabetos funcionais. Esse dado alarmante revela a realidade em que o país está inserido e que muitas vezes não é percebida, sobretudo pelos indivíduos pertencentes às classes sociais mais altas. Um país sem educação não consegue formar cidadãos e trabalhadores capazes de fazê-lo crescer, além de acentuar as desigualdades sociais.

O sucateamento das escolas públicas de ensino fundamental torna praticamente impossível o acesso a uma educação de qualidade por parte da população mais carente. Isso culmina no trabalho infantil, pois uma escola de baixa qualidade leva os pais a pensarem que as crianças seriam mais úteis trabalhando.

“Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor”. A famosa frase de Paulo Freire revela outra consequência: a segregação social. Diferentemente dos países mais desenvolvidos, em que a educação pública básica é confiável e atrativa para todas as classes sociais, no Brasil não existe o mínimo interesse por parte das famílias em condições de matricularem as crianças em escolas particulares em integrá-las na rede pública. Isso, aliado ao racismo estrutural que desde a Lei Áurea vincula as famílias negras à pobreza, gera uma polarização social, de modo que o pobre cresce com inveja do rico e o rico cresce com medo do pobre.

Esses fatores também resultam na dificuldade que jovens negros e pobres enfrentam ao tentarem ingressar em uma universidade pública, e posteriormente, a se integrarem no mercado de trabalho, acentuando as desigualdades sociais que já estão intrinsecamente associadas à falta de investimento em educação básica por parte do governo.

De forma a reduzir as desigualdades sociais ocasionadas pelo sucateamento do ensino público, é imperativo que o governo aumente e priorize os investimentos na ala da educação, sobretudo primária, o que a longo prazo visa estabilizar e reduzir o abismo entre classes sociais.