O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 11/09/2020

O filme “Escritores da Liberdade” narra um fato verídico, ocorrido em uma escola de um bairro pobre nos Estados Unidos: uma professora idealista investe em métodos diferenciados e persiste no ensino de alunos “marginalizados”, no qual há uma tensão social e racial devido ao alto índice de criminalidade. O filme comprova que a didática não é capaz somente de engajar jovens na faculdade e no mercado de trabalho, mas também de transfazer realidades. Discute-se, portanto, o valor da educação nas transformações sociais.

Aristóteles afirma que “a educação tem raízes amargas, mas seus frutos são doces”, e levando em conta que o Brasil possui a 3° maior taxa de evasão escolar mundial, de acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), não é uma tarefa fácil persistir na disciplina. Todavia, como afirma Hans Jonas em sua obra “O Princípio da Responsabilidade”, o principal pilar para fundamentar a ética é a responsabilidade, logo, é mister o papel de educadores, órgãos públicos e do Ministério da Educação participando diretamente da vida dos estudantes. Desse modo, as instituições de ensino não seriam apenas um local de conhecimento básico. As salas de aula podem ser o local de formação de seres pensantes, indivíduos como pessoas.

Consequentemente, não só o indivíduo, mas toda a  sociedade vivencia as consequências da educação. De acordo com o documentário “A Guerra no Brasil”, em 15 anos houve 786.000 assassinatos, sendo 500.000 pardos ou negros. Comprovando o que diz Florestan Fernandes, as desigualdades sociais estão diretamente ligadas as desigualdades éticas, evidenciando maior violência nas áreas periféricas. De fato, onde falta educação de qualidade, falta também oportunidades, gerando pessoas com baixo poder aquisitivo e aumentando os índices de violência. Não serão punições e “justiça” que amenizará a criminalidade no Brasil. A educação social é fundamental para transformar uma cultura, como cita Paulo Freire, “educação transforma pessoas, pessoas transformam o mundo”.

Fica evidente, portanto, o valor da educação na mudança da sociedade. O governo deve investir em escolas públicas, por meio de projetos sociais e voluntários, colocando psicólogos, assistentes sociais e palestrantes para participar diretamente da vida dos alunos e garantir a proximidade com as famílias. Ademais, o Ministério da Educação, com o apoio da mídia como difusora da informação, deve diversificar o método de ensino, implantando tecnologia nas escolas, dando aulas diversificadas e interdisciplinares no intuito de atrai os jovens para as escolas, diminuindo a evasão escolar. Assim, não só o indivíduo, mas toda a cultura poderá ser transformada. Como afirma Pitágoras, “educai as crianças e não será necessário punir os homens”.