O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 12/11/2020
No filme “Cidade de Deus”, a violência urbana e o envolvimento com o crime por crianças e adolescentes são retratados, possuindo como suas principais raízes a desigualdade socioeconômica dos jovens, acentuada pela má qualidade do sistema público educacional, e a evasão escolar. No que tange o papel da escola, pautas contrárias à obrigatoriedade do modelo tradicional de ensino, presencial e pedagogicamente acompanhado, são levantadas na atual conjuntura brasileira. Portanto, o setor da educação no Brasil demonstra enfrentar instabilidades para a sua consolidação como essencial ferramenta à formação do indivíduo, tendo esses obstáculos evidenciados pela falta de valorização do ensino e negligência à educação pública.
Sob tal óptica, projetos que visam a implantação do ensino domiciliar, conhecido como homeschooling, são levados à Justiça para futura aceitação nas leis brasileiras. Entretanto, tais planos acarretam prejuízo à socialização de crianças e jovens, que necessitam ter contato social diversificado para um desenvolvimento adequado, e não serem restritos a um círculo fechado de pessoas. Ademais, a limitação de ter os próprios pais como tutores propicia a alienação do jovem, já que os responsáveis se tornam encarregados do que deve ser ou não ensinado, facilitando que o conhecimento seja repassado de modo parcial. A fim de ilustrar a situação, o ministro Ricardo Lewandowski considera a possibilidade do homeschooling como inconstitucional, além de manter a criança em uma “bolha”.
Por outro lado, o sucateamento do ensino público se salienta como uma das principais causas de um insuficiente resultado escolar dos jovens, contribuindo para o aumento do trabalho informal e criminalidade urbana. Para exemplificar, de acordo com o Infopen, mais da metade da população carcerária é composta por pessoas entre 18 e 29 anos, faixa etária em que elas deveriam estar assegurando seu futuro acadêmico e entrando no mercado de trabalho. Em contraste com o panorama público, redes privadas de ensino se modernizam, renovando suas metodologias através da tecnologia, fomentando o abismo social entre os que possuem o privilégio do estudo em uma escola particular e os da rede pública, deixados ao retrocesso e esquecimento por parte das forças estatais.
Sendo assim, é imprescindível que o Estado se mobilize a fim de mudar o cenário brasileiro. Dessa forma, o Governo Federal, aliado ao Ministério da Educação, deve criar campanhas que assegurem o acompanhamento psicopedagógico dos alunos de escolas públicas, analisando esporadicamente suas presenças em sala de aula, a fim de evitar a evasão escolar. Como resultado, terá uma maior integração futura dos jovens na sociedade, contribuindo para a formação de um pensamento crítico propiciado pela adequada obtenção de conhecimento do mundo nas escolas.