O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 13/11/2020

A Campanha da Fraternidade, movimento realizado pela Igreja Católica desde 1962, busca despontar temáticas que necessitam ser refletidas, bem como debatidas. O tema de 2015, “Fraternidade: Igreja e Sociedade” detém como principal discussão a importância da escola nas mudanças sociais. Apesar de a campanha evidenciar a indispensabilidade de integrar a educação nestas transformações, tal fator destoa da realidade brasileira à medida que se verifica tanto a negligência governamental frente à educação, quanto à questão hodierna a respeito da falta de empatia da sociedade.

Em primeiro plano, é válido destacar que em 2016, foi aprovada a PEC 241, a qual congela os gastos com a educação por 20 anos em prol de suprir a demanda da dívida pública, que atualmente consome praticamente metade do orçamento do país. Tal imprudente decisão explicita o imensurável descaso estatal frente à educação como ferramenta transformadora no Brasil, visto que esta medida corrobora diretamente para um retrocesso no sistema educacional brasileiro. Em razão disso, torna-se inviável o investimento em melhorias na infraestrutura, bem como na manutenção de escolas e universidades. Nesse sentido, o país encontra-se cada vez mais obsoleto nos valores socioeducativos.

Outrossim, a escassa valorização da educação como propulsora da transformação social adquire respaldo na falta de empatia da sociedade. Na obra “modernidade líquida”, do filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman, expressa que a pós-modernidade é vigorosamente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há a falta de empatia, dado que para compreender tais problemáticas coletivas é necessário não olhar apenas para si, ou seja, o individual. Acerca disso, é pertinente inteligir que essa liquidez que influi sobre o valor da educação nas mudanças sociais brasileiras impede sua resolução, uma vez que a sociedade possui uma visão restrita da escola, a qual culmina na sua rejeição como transformadora de contextos sociais.

Destarte, torna-se imprescindível a adoção de medidas a fim de solidificar políticas que visem à valorização da educação em prol de promover a transformação. Assim, o Ministério da Educação deve, por meio de verbas públicas, intervir na realização de campanhas midiáticas, com o intuito de formar os jovens e informar os cidadãos sobre os legítimos benefícios da educação e os perigos de sua ausência, em cumprimento do papel das instituições públicas quanto na maior atenção destinada para educação, a fim de proporcionar uma evolução neste sistema. Dessa forma, espera-se concretizar o valor da educação nas transformações sociais no Brasil.