O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 18/11/2020
O patrono da educação brasileira, Paulo Freire, diz que a educação é capaz de transformar o mundo, a partir do que ela faz com as pessoas. Em contrapartida, ao observar o modelo de aprendizagem do Brasil, compreende-se que o mesmo não explora de maneira eficaz o potencial viés transformador do ensino. Nesse sentindo, convém analisar a importância da educação - além daquela transmissora de conteúdos históricos e científicos - para a vida em sociedade, bem como a dificuldade de dar à educação esse papel de transformadora social, tendo em vista a atual estrutura vigente.
Em primeiro lugar, é válido destacar como um modelo de ensino que explora os diversos tipos de inteligências existentes, traria muitos benefícios para a sociedade. Decerto, o modo como o Brasil explora a formação do indivíduo no âmbito escolar é muito limitado às inteligências que dizem respeito ao campo das exatas e das humanas. Nesse sentido, o desenvolvimento dos discentes, enquanto seres pensantes e civilizados, torna-se pouco eficiente, visto que, ao fazer essa limitação, os indivíduos não desenvolvem sua capacidade de pensar além daquilo que lhe é proposto. Ademais, um ensino que visa a construção de indivíduos responsáveis, poderia promover gerações mais tolerantes, menos preconceituosas e com mais consciência, pois, como já dizia o filósofo Immanuel Kant, o homem é fruto daquilo que a educação faz dele.
Soma-se a isso, a cultura enraizada que compreende que o único detentor do conhecimento, dentro de sala de aula, é o professor. Segundo o psicólogo bielorrusso Vigotski, a criança internaliza mais os seus conhecimentos adquiridos quando há uma interação entre ela e o meio de aprendizagem. Nessa perspectiva, o ambiente escolar perde mais ainda a sua potencialidade de ser um âmbito transformador de indivíduos, visto que esses não têm a oportunidade de interagirem com o meio e, assim, a escola continua sendo apenas um lugar de transmissão de conhecimento, não o desenvolvendo.
Conclui-se, portanto, que resoluções devem ser aplicadas. Certamente, cabe ao Ministério da Educação (MEC), incluir na matriz curricular de ensino do Brasil os demais tipos de inteligências a serem desenvolvidas no âmbito escolar. Nesse viés, deve haver a alteração do documento da matriz atual, a partir da convocação de todos os integrantes do MEC para decidir a melhor maneira para tal, a fim de que a população desenvolva capacidades além do convencional e, assim, fazer da educação um instrumento transformador do mundo, como propõe Paulo Freire.