O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 08/12/2020
O filme documental Malala retrata a história de uma menina paquistanesa, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, que defendia a educação livre para mulheres na tentativa de gerar uma mudança na sociedade. Esse olhar bibliográfico demonstra a importância da educação como ator social, uma vez que esta é responsável pela formação dos indivíduos. Nesse contexto, é preciso entender a relevância da educação transformadora no desenvolvimento de habilidades e do pensamento crítico, bem como analisar de que forma as desigualdades prejudicam a transformação por meio da educação.
Diante esse questionamento inicial, cabe pontuar que a educação transformadora está baseada na interação e na valorização do aluno, visando uma aprendizagem colaborativa e pautada na realidade. Contudo, nota-se que o sistema educacional brasileiro ainda é muito conteudista, uma vez que foca em um ensino técnico em detrimento do desenvolvimento de habilidades. A partir dessas constatações, surge a ideia do pensamento integral, defendida por Edgar Morin, que estabelece saberes essenciais para a educação futura, como a ética, a moral e a empatia. Por conseguinte, fica claro que a educação possui uma grande relevância no que tange promover mudanças e pensamento crítico, contanto que o contexto educacional promova o desenvolvimento integral dos alunos.
Ainda nessa linha, convém analisar como o teor transformador da educação é prejudicado em virtude da falta de acesso igualitário. Aliás, não se pode negar que a qualidade das escolas no Brasil gera uma exclusão, uma vez que as classes sociais menos favorecidas não têm acesso ao padrão de qualidade de ensino que a elite possui. Sob essa ótica, ressona a ideia de que a educação, segundo o sociólogo Bauman em sua obra “Vidas Líquidas”, é comercializada, colaborando para a manutenção das desigualdades sociais e perpetuação da classe dominante. Dessa forma, compreende-se que o contraste dentro do próprio sistema gera desigualdade de oportunidades, diminuindo a mobilidade social e a possibilidade de transformações motivadas pelo ensino.
Diante do exposto, urgem medidas para solucionar a problemática. Primeiramente, cabe ao Ministério da Educação (MEC), por ser o órgão responsável pelo ensino no Brasil, promover uma mudança no currículo obrigatório, de modo que este passe a abordar matérias voltadas para o desenvolvimento pessoal e formação do pensamento crítica, na tentativa de garantir uma formação integral do aluno e uma atuação social ativa deste na comunidade. Ademais, é preciso que o governo Federal, em parceria com MEC, aumente o investimento na educação, usando essa verba para melhorar a qualidade do ensino público, com o objetivo de garantir igualdade e oportunidade a todos. A partir dessas medidas espera-se inserir a educação transformadora no Brasil, de modo a fomentar transformações sociais.