O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 11/12/2020
Em 1995, o rapper Gabriel o Pensador lançou a música “Estudo Errado”, com intuito de fazer uma forte crítica às instituições de ensino brasileiras pouco eficazes. Nessa perspectiva, a educação assume papel principal nas transformações sociais promovidas nas populações marginalizadas, indubitavelmente, já que tem capacidade de promover o senso crítico e autonomia dos alunos e, assim, modificar a sua realidade. Essa perspectiva é afirmada a partir de um discurso pedagógico, no entanto, os métodos de ensino e a estrutura das escolas configuram uma barreira à tal finalidade.
Mormente, o pedagogo Paulo Freire, o atual patrono da educação brasileira, foi responsável pela revolução nas metodologias educacionais. Sob tal óptica, a sua teoria, defendido nas obras “Pedagogia do Oprimido” e “Pedagogia da Autonomia”, defende o potencial transformador da educação, em que o processo de aprendizagem deve ser efetivo e, portanto, emancipador. Ainda nesse sentido, ao analisar a Constituição Federal de 1988, a partir do Artigo 205—educação como direito de todos e dever do Estado e da família—, percebe-se a abordagem da educação como provedora de cidadania e com viés utilitarista minimizado, em decorrência do objetivo principal ser o completo desenvolvimento do estudante. Entretanto, o cenário educacional hodierno do Brasil não corresponde à teoria, visto que os métodos de ensino e os espaços físicos das escolas apresentam-se sucateados.
Ademais, muitas manifestações artísticas denunciam todas as problemáticas das mazelas educacionais. Nesse viés, a obra “Estudo Errado”, de Gabriel o Pensador, promove uma reflexão acerca das escolas nacionais ao citar “vamos fugir dessa jaula” na letra da canção, em que fica nítida a visão dos espaços de ensino como prisões e da metodologia pedagógica do Brasil ser atrasada. Em soma, a série televisiva “Segunda Chamada” mostra a triste realidade das escolas públicas brasileiras, percebida a partir da precarização do espaço físico e da desvalorização do corpo docente, o que desenvolve grandes impasses na utilização da educação como mecanismo de transformação social; urgindo, pois, elucidações do Governo Federal.
Portanto, a educação é protagonista na modificação da realidade social dos alunos e do país, porém para isso é necessária a superação de diversos entraves. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação reestruturar a metodologia de ensino do Brasil e reformar as escolas públicas nacionais—tendo como referência as Escolas Parque de Brasília, desenvolvidas por Anísio Teixeira—, por meio da elevação de investimentos públicos nessa área, a fim de tornar a educação como método efetivo de transformação social e, então, alcançar o bem-estar social.