O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 17/12/2020

Segundo Platão, filósofo da antiguidade grega, a educação dos cidadãos é a base da pólis ideal. Longe da teoria, o papel central do ensino na estruturação intelectual e cidadã dos indivíduos reflete sua importante capacidade de causar tranformações sociais e, ainda, de melhorar a qualidade de vida da população. Dentro desse prisma, o valor da educação na sociedade demontra a alfabetização como mecanismo atenuador de desigualdades, visto que a falta de conhecimento pode impor barreiras à qualificação profissional. Em contrapartida, é nítido que o Brasil carece de estruturas adequadas à atuação plena das atividades pedagógicas — panorama proveniente da negligência governamental. Evidencia-se, assim, que a comunidade urge por melhor atuação estatal em prol da educação universal.

Em uma perspectiva centrada no analfabetismo funcional, a instrução de trabalhadores pode promover avanços nas situações de vida, dada a importância do ensino na vida civil. Nesse âmbito didático, a experiência feita pelo educador Paulo Freire, em 1963, alfabetizou dezenas de trabalhadores rurais em apenas 40 horas de aula, estimulando suas habilidades sociais, políticas e profissionais. Isto posto, a didática realizada promoveu o aperfeiçoamento das qualidades cidadãs dos alunos, de modo a desenvolver suas capacidades trabalhistas e propiciar a aplicação dos aprendizados no cotidiano, fato presente em reflexão da professora Antonieta de Barros, em que afirma que educar é ensinar os outros a viver. Dessa forma, é clara a influência da educação na melhoria da vida comunitária.

Para além dos fatores positivos, as tentativas de aumentar as taxas educacionais esbarram no desleixo estatal, haja vista que o ensino público brasileiro é falho. Nesse viés, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada em 2019, mostra que o Brasil possui 11 milhões de pessoas que não sabem escrever, situação oriunda do acesso desigual às escolas, devido à falta de investimentos do governo. Assim, apesar de a União dispor de prerrogativas jurídicas corroboradas pela Constituição, em 1988, como o direito à educação de qualidade, é evidente que os produtos da Carta Magna não favorecem, universalmente, a população.

Diante do exposto, fica explícita a necessidade de medidas para reverter a situação antipedagógica. Para tanto, o Ministério da Educação deverá criar cursos populares de alfabetização em massa, proporcionando didáticas gramaticais e sociais entre alunos e docentes, que serão ministradas em salas de aula construídas em agremiações comunitárias. Como resultado direto, milhares de pessoas serão, devidamente, educadas, fato essencial para a construção de indivíduos incluídos na dinâmica cidadã e nas transformações sociais. Em análise, somente com um ensino decente e irrestrito será possível converter a comunidade atual em uma sociedade perfeita, como preconizado por Platão.