O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 24/12/2020

Parafraseando Platão, filósofo da antiguidade, para se obter uma sociedade equilibrada é necessário que a pólis (Estado) forneça acesso à educação de maneira igualitária, para que desta forma, as funções dos indivíduos na sociedade estejam de acordo com suas aptidões. Todavia, no contexto da contemporaneidade, tal conceito se perde , uma vez que está se relaciona com o poder aquisitivo do indivíduo, pois sua qualidade se restringe às escolas particulares com alto custo e melhores empregos exigem maior qualificação. Portanto, tal problemática deve ser combatida – com auxílio do Estado – a fim de transformar a sociedade em prol do bem comum e da equidade socioeconômica.

Em primeiro lugar, no Brasil as escolas públicas sofrem com uma infraestrutura defasada, tornando os alunos e professores desmotivados, distraídos e mais propensos a desistir de estudar. Segundo estudo feito por pesquisadores da Universidade de Brasília e da Federal de Santa Catarina, cerca de 87 mil ou 44,5% do total de escolas no país não tem saneamento básico, falta luz, água e redes de esgoto. Além disso, das 195 mil escolas brasileiras, pouco mais de mil são avançadas –representa 0.6%. Esse fato se concretiza ao comparar dados do IDEB – Índice de Desenvolvimento Educacional Brasileiro – nos quais os colégios particulares têm resultados bem mais elevados em todas as fases de ensino em detrimento das públicas, que detêm as piores notas.

Concomitantemente, é necessário comparar a atual conjuntura trabalhista com seu passado. Na segunda revolução industrial, as relações de trabalho se baseavam na abundância de mão de obra –em sua maioria– com pouca qualificação. Em contrapartida, com o advento da revolução tecno-científica há o predomínio da especialização e da aptidão. Logo, surge a necessidade em cursar ao menos uma universidade para se obter renda. Essa realidade, só será proveitosa e equânime através da valorização do estudo, caso contrário, gera altos índices de desemprego e consequentemente, desigualdades com baixa possibilidade de ascensão social.

Em suma, percebe-se que a educação está intimamente ligada à melhores condições e possibilidades de uma vida próspera. Deste modo, cabe ao Ministério da Educação (MEC) em conjunto com os três poderes, a aplicação de capital financeiro nas escolas públicas e a criação de um currículo nacional comum a todas as redes. Possibilitando reformas nas infraestruturas, oferecendo melhores salários aos professores, cursos profissionalizantes gratuitos e a indicação do que cada aluno deve aprender em cada etapa da escola. Para que assim, a curto prazo, os alunos e professores tenham mais motivação para dar continuidade no sistema educacional e, a longo prazo, unificar os níveis escolares a nível nacional e gerar oportunidades mais igualitárias.