O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 08/01/2021

Segundo o escritor português José Saramago, em sua obra “Ensaio sobre a lucidez”, há verdades que precisam ser repetidas para que não venham a cair no esquecimento. Traçando um paralelo com o pensamento do autor e a realidade brasileira, tem-se que uma dessas verdades que precisam ser reiteradas diz respeito ao valor da educação nas transformações sociais – um bem que, infelizmente, não é exercido de forma plena e justa no país. Perante esse debate, é indispensável que o exercício educacional seja veementemente incentivado, tanto por razões individuais quanto sociais.

Em primeiro lugar, é válido salientar os aspectos positivos do ensino na emancipação do sujeito. Nessa linha de raciocínio, é pertinente citar o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, o qual atesta que a visão de mundo é limitada pela experiência que cada indivíduo tem. A partir dessa ideia, infere-se que o processo de aprendizagem no desenvolvimento de um indivíduo garante uma melhor vivência com o coletivo, confere autonomia e consciência acerca do meio histórico-social de onde vive e o torna protagonista de verdadeiras relações sociais, visto que seu potencial cognitivo fica cada vez mais abrangente. Portanto, quanto maior for a experiência do sujeito, mais ampla será sua visão de mundo e seu conhecimento.

Em segundo lugar, é válido salientar os impactos favoráveis desse bem em uma nação. Sob tal perspectiva, cabe mencionar o filósofo empirista David Hume, o qual ratifica que toda ação do passado gera uma consequência mecânica no futuro. Com base nisso, chega-se à percepção de que a partir do momento em que o país investe no acesso e na democratização da educação, ele confere excelentes benefícios a longo prazo: a capacitação da população e o seu empoderamento – fato que garantirá melhores qualidades educacionais, diminuição da desigualdade escolar, mais geração de empregos e, consequentemente, maior circulação de renda para o país.

Por fim, faz-se necessária a tomada de atitude frente a essa questão. Nesse sentido, cabe às universidades públicas e privadas, por serem importantes catalisadoras de ações estudantis voltadas para a sociedade, criarem programas de educação variados – como a infantil, a ambiental, a alimentar e, até mesmo, a científica – voltados para as comunidades mais carentes, já que lá o acesso a esse tipo de recurso é mais escasso. Isso pode ser feito por meio de cursos de extensão, dos quais possam fazer parte estudantes do curso de letras, nutrição e medicina. Iniciativas assim resultarão em uma maior justiça social e na democratização da educação brasileira.