O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 11/01/2021
Na obra “Vidas Secas”, o autor Graciliano Ramos questiona a discrepância do acesso à educação recebido pela elite e pela população mais pobre - no livro, retratada através da família de Fabiano, retirante do sertão. Consoante ao recorte realista do século XX, o Brasil atual ainda enfrenta um elevado índice de desigualdade educacional, o que dificulta as transformações sociais no pais, uma vez que o conhecimento possiblita enxergar novas oportunidades deEntretanto, para garantir uma educação equitativa no pais, é necessário avaliar os impasses no que diz respeito aos investimentos públicos e à intersecção com o meio digital.
De início, vale ressaltar como o papel do governo é primordial na garantia de uma educação de qualidade, principalmente para a população carente. De acordo com os dados do relátorio do PNE (Plano Nacional de Educação), o porcentual de investimento na educação em 2018, por parte da União, foi de apenas 5%, o que mostra a falta de empenho em promover um dos principais direitos fundamentais. Nesse sentido, diversas escolas ficam a mercê de investimentos muncipais que, muitas vezes, não conseguem responder à demanda local, seja na construção de novas escolas, seja no aparato de materiais e profissionais para creches, faculdades e redes de ensino básica. Em consequência disso, o futuro de diversos alunos da rede pública é afetado, uma vez que a falta de investimentos reflete nos vestibulares - os alunos de escolas privadas levam vantagem -, o que dificulta as transformaçoes sociais e fomenta ainda mais a desigualdade no pais.
Além disso, cabe avaliar como o meio digital modifocu a versão tradicional de educação e como isso afeta as transformações sociais. Desde o começo da pandemia em 2020, ficou claro que um dos principais desafios seria a educação pedagógica à distância, uma vez que grande parte das interações socioculturais atualmente se dão através da internet. No entanto, o Brasil como um país de dimensões continentais, enfrenta problemas lógisticos graves, tanto na escassez de infraestutura tecnológica, quanto na inclusão digital deficitária em diversas regiões. A exemplo, uma pesquisa realizada pela UFMG durante 2020 mostrou que cerca de 30%dos alunos não tem acesso à internet, e, além disso, o estado do Amapá ficou, em novembro do mesmo ano, quase 20 dias sem energia elétrica, prejudicando todo tipo de aula online. Ou seja, a internet por si só, não é capaz de fornecer o amparo necessário para equiparar as desigualdes vigentes na educação brasileira, sendo de imprenscindível responsabilidade a atuação do governo.