O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 12/01/2021
Raul Pompeia, em “O Ateneu”, trouxe à sua Literatura o caráter elitista e mercantil do ensino- fator contribuinte para realçar as diferenças sociais já existentes. Para além das páginas, a educação, no mundo contemporâneo, é fundamental para que ocorram transformações sociais no Brasil. No entanto, a crescente secundarização da pauta educacional, em conjunto com o modelo educacional conservador contribuem para a permânencia da problemática no cotidiano. Com efeito, é preciso alcançar maneiras de permitir o amplo acesso à todos, a fim de combater aquilo previsto por Pompeia em seu livro.
Em uma primeira análise, sob a ótica social, a educação fomenta o desenvolvimento do pensamento crítico. Isso porque o estudo permite a reflexão e a análise das conjunturas políticas-administrativas do país, haja vista o conhecimento de diversas áreas e, consequentemente, o questinamento das ações realizadas pelos órgãos públicos, o que permite a luta pela garantia de direitos e a atuação consciente do cidadão na sociedade, tal participação política não é relevante para o Estado, uma vez que isso atrapalha suas decisões impopulares. Simon Schwartzman, por meio do conceito de “Neopatrimonialismo”, refletiu acerca do papel do governo em valorizar planos privados, em detrimento das pautas públicas, o que se afasta da promoção de educação igualitária para todos, com o objetivo de não estimular a criticicidade na população. Dessa forma,há uma barreira para a tranformação social.
Ademais, em segundo plano, a escola ergue-se como instituição fundamental para a formação de alunos questionadores e ativos na sociedade. Essa correlação pode ser estabelecida por meio do valor da educação nas alterações sociais, visto que a luta por direitos é realizada com base no conhecimento e, principalmente, pelo modelo educacional que foi implantado. Nesse contexto, o conservadorismo presente no meio educacional inibe o desenvolvimento da criatividade e papel ativo do aluno nas salas de aula, uma vez que o estudante age como agente passivo no processo educacional, já que apenas reproduz os assuntos ensinados. Foucault, em " A Metafísica do Poder", retrata a normalização de padrões sociais, o que promove a sistematização dos indivíduos e inibe a formação de pensamento próprio, tal como ocorre na forma conservadora de educação atual. Logo, é preciso alterá-la.
Torna-se evidente, portanto, que o valor do ensino para a transformação social no Brasil é secundarizado pelo governo. Para reverter esse quadro, é preciso que o Poder Executivo- por intermédio do Ministério da Educação- faça, em parceria com as escolas locais- a reestruturação do modelo educacional vigente no país. Isso deve ser feito por meio da formulação de um plano, no qual o estudante seja o centro de seu aprendizado- como a participação ativa em debates e projetos-, a fim de estimular sua participação. Dessa maneira, a transformação social, necessária ao país, irá ocorrer.