O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 18/04/2021
Segundo John Locke, o homem é uma tábula rasa, sendo o conhecimento obtido por intermédio das experiências. Destarte, apesar do papel social da escola no oferecimento de oportunidades para a construção do aprendizado e da empatia coletiva, é notório que o seu valor e capacidade de transformação não são plenamente aproveitados pela sociedade brasileira. Dessa maneira, tal contexto é decorrente tanto da carência de um planejamento eficiente, quanto de um sistema educacional excludente.
Primeiramente, durante o Renascimento Carolíngio, na Idade Média, os maiores beneficiados pelas ações de Carlos Magno eram as classes abastadas e a Igreja Católica, que tinha sua doutrina perpetuada por meio das medidas estatais. De forma análoga, no Brasil contemporâneo, uma minoria é beneficiada pela condução do Estado na esfera educacional, já que a carência de um planejamento inclusivo não só é responsável por sucatear os espaços escolares, como por negligenciar a importância da educação nas transformações sociais. Consequentemente, são também oferecidas oportunidades desiguais de obtenção de conhecimento e consciência coletiva, que deveriam ser adquiridos mediante a experiência proposta por Locke.
Outrossim, um modelo de educação distante da realidade do aluno também é capaz de subaproveitar o valor da educação nas reformas sociais. Consoante o sociólogo Jésse Souza, a classe baixa brasileira, criada no imediatismo da sobrevivência, é carente de um comportamento que provoque a doação do seu tempo em nome do estudo. Desse modo, tal condição é gerada, sobretudo, por um sistema educacional excludente que supervaloriza tipos específicos de inteligência e notas altas. Consequentemente, a falta de diálogo com o cotidiano estudantil promovem o afastamento do ambiente escolar e, em seguida, a impossibilidade do contato com a experiência defendida por Locke.
Dessa forma, para aproveitar plenamente o valor da educação nas transformações sociais na sociedade brasileira, é necessário que o Ministério da Educação crie o Plano de Valorização da Educação, que, por meio do planejamento adequado dos investimentos direcionados às escolas, efetuado por profissionais especializados, irá resolver a carência de recursos vivenciada por muitas instituições no território. Tal planejamento deverá concentrar boa parte das verbas nas áreas periféricas do país, a fim de diminuir a desigualdade educacional enfrentada por esses estudantes. Ademais, esse mesmo Plano promoverá palestras, excursões e aulas especiais nas escolas, com o objetivo de relacionar conteúdo abordado com vida cotidiana. Em suma, por essas vias, o Brasil estará ampliando a capacidade da educação nas mudanças sociais no Brasil e o acesso à experiência lockeana.