O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 19/04/2021

Da catequese indígena à democratização da educação na década de 90, perpassando pelo ensino associado à religião ou ao patriotismo. Esse é o cenário de evolução do processo educacional, o qual, ao longo de muitos períodos, esteve atrelado a interesses elitistas na conjuntura nacional. Desse modo, depreende-se a dificuldade em “desoprimir” o ensino público e em tranformá-lo em um fator decisório para mudanças sociais.

Nesse contexto, mesmo a educação sendo responsabilidade dos Governos Federal, Estaduais e Municipais, o que se observa é um ensino público estagnado, com pouco envolvimento do educando em seu processo de aprendizagem. Consequência disso, são os mais de 50% de jovens que se evadem das escolas, em virtude de desinteresse pelos estudos, segundo pesquisa do IBGE em associação com o PNADC, de 2019. Realidade essa, que persiste como resultado da presença de um ambiente educacional  público que não se renova, que não apresenta estrutura física adequada, tal como também citou a pesquisa, além de parcamente considerar a troca de conhecimento entre os envolvidos. Daí o alarmante quantitativo de pessoas fora das salas de aula ou com ensino não concluído.

Ademais, a desigualdade na educação brasileira gera um alargamento incivil entre as camadas sociais, uma vez que não oferece o aparato necessário para que a parcela oprimida reconheça a fragilidade enfrentada. Essa preocupante situação faz do Brasil o sétimo país mais desigual do mundo, conforme relatório divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em 2019. Sendo assim, a educação, única capaz de tranformar um “elo perdido” em “hora da estrela”, ainda está à mercê daqueles que somente a valorizam quando consideram seus próprios interesses, destacadamente os financeiros.

Evidencia-se, portanto, a necessidade urgente de maior comprometimento social com o valor da educação no país. Para isso, cabe à sociedade civil organizada, em conjunto com a mídia e ONGs de atuação social, incentivar mobilizações populares para reivindicações, como reestruturação física do ambiente escolar, valorização do profissional da educação e direcionamento de recursos financeiros para escolas e professores, por meio da realização de campanhas/eventos em redes sociais, no site das ONGs, na mídia em geral. Para assim, alertar a sociedade acerca da importância que a educação exerce na busca de melhorias sociais.