O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 20/04/2021

Uma das frases mais célebres de Paulo Freire, patrono da educação brasileira, é “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é virar opressor”. Essa sentença vai de encontro com a manutenção do status quo e contém em si elementos fundamentais de uma nova proposta de educação. Essa se fundamenta na inserção cada vez mais inclusiva nas escolas, além de uma reformulação das competências curriculares.

Em primeira análise, é preciso ressaltar a importância da democratização do acesso a escola. Embora esse não seja o único ambiente em que se desenvolve um processo educativo, a denominação de um espaço para socialização e aprendizado tem se mostrado ao longo da história como um berço de oportunidades. Já no século XIX, Nísia Floresta discorria sobre a necessidade da educação para a emancipação feminina, no livro Direitos das Mulheres e Injustiça dos Homens ela defende a participação das mulheres no cenário público como um meio para a construção de uma sociedade mais igualitária e desenvolvida.

Ademais, o currículo proposto nas escolas deve ser analisado com um olhar crítico. No livro Pedagogia do Oprimido, Paulo Freire apresenta o conceito de educação bancária, essa é subserviente aos padrões vigentes e não proporciona nenhum tipo de transformação social. Em períodos com a ditadura civil-militar a proposta das escolas era de transferência de conteúdo científico, sem contestação do contexto social vivido, direto como uma simples transação monetária. Portanto, para promover mudanças, colégios devem trabalhar competências que estimulem a reflexão.

Assim, é possível concluir que a educação desempenha papel fundamental no processo de transformações sociais, logo, a escola enquanto espaço que visa o aprendizado deve incluir o máximo de pessoas possível, além de incentivar o raciocínio crítico. É imprescindível ter profissionais bem preparados para viabilizar um projeto educativo emancipatório, dessa forma, devem ser disponibilizadas cadeiras sobre inclusão para os cursos de licenciaturas e pedagogia, além de campanhas do Ministério da Educação que advoguem pela permanência dos estudantes nas escolas. De tal maneira, se construirá uma base sólida para o desenvolvimento de projetos verdadeiramente transformadores.