O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 20/04/2021

A Campanha da Fraternidade, movimento realizado pela Igreja Católica desde 1962, busca trazer à tona, anualmente, temas que precisam ser debatidos e refletidos. O tema de 2015, “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, tem como discussão a importância da escola nas mudanças sociais de que o mundo precisa. Sendo assim, evidencia-se a necessidade de integrar a educação nessas transformações sociais, seja ela, uma educação escolar ou familiar. Tal relação, apesar de ser essencial, não é tão presente na atualidade.

Em primeira instância, é necessário compreender o real valor das escolas, e como elas podem ajudar a resolver os problemas dos dias atuais. Em um contexto de discriminação, crescimento de violência e de desigualdade, começar tranformações através da escola não é só importante, mas necesária. Essa é uma garantia através do pensamento de Paulo Freire, importante educador e filósofo, no qual se afirma que sem a educação a sociedade não muda. Entretanto, é fácil entender que essa importância não é reconhecida, e essa relação das escolas nas transformações sociais é deixada de lado no nosso país.

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a família é a instituição social mais importante no desenvolvimento da socialização primária, principalmente, por implementar hábitos que as crianças levarão ao longo da vida. Desse modo, é incontestável que a educação familiar é um dos fatores que complementam e contribuem nesse desenvolvimento e na transformação social. Porém, nos dias atuais, vemos no Brasil um cenário em que gradativamente a família participa menos da educação da criança, principalmente por abandono. Tal cenário, se confirma com os dados do site “Metrópoles”, que em 2020, indicou que 80 mil crianças crescem sem os pais.

Portanto, fica claro, que, apesar de crucial o papel transformador da educação não tem sido aproveitado no Brasil, sendo necessário não só entender essa relevância, mas também encontrar nas instituições ferramentas para essas ações. Nessa perspectiva, o Governo e a mídia podem trabalhar em conjunto, com a divulgação de campanhas cobrando essa ação por parte da escola. Além disso, o Governo, juntamente com ONG’s, devem realizar projetos e trabalhos sociais para essas crianças que sofrem por abandono de incapaz, a fim de proporcionar uma infância e uma educação propícia, que, consequentemente, levará ao desenvolvimento de um cidadão digno. Logo, pouco a pouco, a frase de Paulo Freire fará sentido e a Campanha da Fraternidade saia do cartaz, da própria Igreja e alcance todo o mundo.