O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 28/04/2021
Segundo consta na Constituição Federal de 1988, é dever do Estado assegurar o acesso à educação de qualidade para toda a população brasileira. Contudo, na prática, há impasses que afetam o desempenho socio-educativo em se tratando do objetivo de promover o desenvolvimento dos cidadãos e atenuar as desigualdades.
Primeiramente, é notória a contribuição da educação na moldagem dos estudantes, haja vista que ela pode proporcionar habilidades importantes à vida em sociedade, como a formação de indivíduos mais responsáveis, críticos, conscientes e ativos socialmente. Entretanto, a ineficiente comunicação entre as decisões do corpo docente com os educandos dificulta a necessária conexão para ocorrência eficáz do ensino. Isso porque o aluno sai da posição ativa, como protagonista da situação acadêmica, e passa a ser objeto dela, fato que, não raro, afasta o estudante da sua realidade. Esse tipo de ocorrência é recorrente devido a discursos como o do ex-ministro da educação, Weintraub, em que, lamentávelmente, explicita uma errônea comparação do comportamento estudantil no país com a realização de balbúrdia em ambientes educativos. Com isso, esse pensamento ao ser generalizado, costuma invalidar os anceios dos aluno, reduzindo a qualidade da educação nacional.
Outrossim, o Brasil é reconhecidamente desigual e essa desigualdade, infelizmente, encontra-se no âmbito acadêmico também. Isso pois há uma diferenciação entre a qualidade de escolas particulares, sobretudo elitizadas, e públicas, com presença preponderante de pessoas mais pobres. Essa segregação é mais evidente quando se percebe a visão de futuro adquirida por alunos de escolas particulares e o quão raro é essa percepção em meio aos membros de escolas sediadas pelo Governo Federal. Dessa maneira, como já dizia Rousseau: ¨Não educar já é educar¨. A partir dessa passagem, nota-se que enquanto não houver uma mudança no sistema de ensino nacional, a disparidade acadêmica vai perdurar, e assim, a dificuldade de ascensão social -muito importante no combate à desigualdade-, constatando a relevância do ensino para as populações mais desfavorecidas economicamente.
Ante o exposto, cabe à mídia modificar a visão imatura que o estudante possui em meio à sociedade, mediante propagandas de cunho informativo, mostrando a atividade estudantil e o quanto ela é considerável para a evolução do país, a fim de mitigar o estereótipo de indivíduo irresponsável atribuído a esse grupo, além de incentivar a participação ativa deles nas decisões que lhes cabem. Ademais, é dever do Poder Público atenuar as desigualdades e promover a efetivação da democracia no setor da educação, para cumprir com seu dever constitucional.