O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 23/04/2021

A série televisiva canadense “Anne with an e” retrata a vida de uma órfã, que, após passar por muitos lares e sofrer exploração, encontra seu novo lar em um vilarejo. Assim, por ter sido privada de sua educação por muitos anos, Anne superestima a educação, se tornando, no decorrer do enredo, uma das melhores e mais participativas alunas de sua pequena escola. Fora dos tabloides da ficção, a educação tem, também, o poder de ser um divisor de águas na vida dos estudantes. Dessa forma, dois fatores são imperiosos nessa formação educacional: o protagonismo dos alunos e o papel familiar.

Primordialmente, conforme posto por Amos Comenius, educador checo e pai da didática moderna, é necessário considerar as necessidades e limitações dos alunos individualmente. Comenius visa que o estudante deixe de ser objeto e passe ao status de sujeito da educação, com autonomia e visão crítica sobre o que está acontecendo ao seu derredor. Dessa forma, a educação transformadora enfatiza a prática em detrimento da teoria, a fim de que ocorra a emancipação do educando, a medida que esse adquire conhecimento por si mesmo, sem depender de outrem. Todavia, há um ínfimo quantitativo de instituições educacionais no Brasil que aplicam efetivamente os métodos pontuados por Comenius, e essas são restritas, majoritariamente, ao público elitizado, com maior poder aquisitivo.

Ademais, o desempenho acadêmico depende não somente da escola, mas sim de uma junção de fatores sociais, incluindo a família. Émile Durkheim, defende que a educação é muito mais abrangente do que a instituição escolar. Essa, para o sociólogo francês, intenciona a inserção de um indivíduo na sociedade, englobando tanto a área profissional como social. Para isso, é necessário que os pais sejam ativos na educação de seus filhos, ensinando-os conhecimentos que, interdisciplinarmente, os impulsionarão em seu desempenho estudantil. Na realidade brasileira, entretanto, a negligência parental nessa questão é muito marcante na vida de muitos jovens, que acabam ficando à mercê da escola para construir sua formação social.

Em epítome, faz-se ungente tomar medidas a fim de que a educação cumpra de fato seu papel transformador na vida dos brasileiros. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação, democratizar o acesso à pedagogia transformadora, promovendo palestras com educadores da rede pública de ensino, acerca de métodos efetivos de aprendizagem, a fim de que o processo didático seja mais efetivo nas escolas públicas. Além disso, é da competência desse órgão público conscientizar os responsáveis de seus papéis educacionais, desenvolvendo campanhas, que se mobilizem nas mídias sociais e nas intituições físicas, instruindo os genitores a auxiliar a escola na caminhada pedagógica que seus filhos trilharão, a fim de que mais jovens como Anne possam ter suas vidas transformadas pela educação.