O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 27/04/2021
O filme brasileiro “Que Horas Ela Volta?”, dirigido por Anna Muylaert, narra a história da empregada doméstica Val e de sua filha Jéssica. Após se reencontrarem, Jéssica, aprovada recentemente no maior vestibular do país, passa a questionar as condições de trabalho da mãe e a forma como os patrões a tratam, gerando uma forte tensão de classes. Fora das telonas, a desigualdade econômica e educacional no Brasil gera a marginalização de grande parte da sociedade, que, assim como Val, normaliza a situação em que vive. Nesse contexto, o valor da educação nas transformações sociais é de suma importância, por alimentar o senso crítico do estudante, além de diminuir a criminalidade.
Constata-se, inicialmente, que o processo educacional é de fundamental importância para a construção do senso crítico do estudante. Isso ocorre, pois um ensino voltado não apenas para a obtenção dos conteúdos programáticos, como também para a integração da realidade do aluno com a da sala de aula, coloca o discente como o centro de seu próprio aprendizado e torna-o em um agente transformador do corpo social. Sob esse contexto, a perspectiva teórica do educador Paulo Freire afirma que, sem educação, a sociedade não muda. Assim, esse processo configura-se como o combustível que impulsiona as pessoas a lutarem por mais igualdade.
Além disso, a educação é essencial para a diminuição da criminalidade, haja vista as menores chances de exclusão social do indivíduo. Com isso, segundo o antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro -em uma conferência de 1982-, se os governantes não investissem nas escolas, em 20 anos, faltaria dinheiro para construir presídios. Após quase 40 anos, o país ainda é marcado pela péssima qualidade infraestrutural e pedagógica das escolas públicas e, somado a isso, já se configura como o 3º país com a maior população carcerária do mundo, conforme o Relatório Anual de Segurança Pública. Dessa forma, tal dado demonstra a importância do processo educacional para a inclusão e qualificação do indivíduo para viver e trabalhar em sociedade, profetizando a fala de Ribeiro.
São necessárias, portanto, medidas que democratizem e integrem mais o aluno a uma educação transformadora. Para isso, urge ao Ministério da Educação, junto ao Legislativo, mudar o cenário educacional, por meio da criação de um projeto de lei (PL) que vise a reforma curricular e a qualificação de professores, tornando as instituições educacionais uma extensão da vida do estudante, a fim de que a educação possa exercer seu papel de transformadora social. Ademais, tais órgãos também incluírão nesse projeto o direcionamento obrigatório de verba para reformas infraestruturais e pedagógicas em toda rede pública num prazo de 10 anos. Assim, a educação transcenderá os livros e futuras Jéssicas mudarão o contexto social.