O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 23/04/2021

Na Grécia Antiga, a “paideia” consistia no modelo ideal de educação do jovem ateniense, o qual, por meio do ensino das ciências humanas e exatas, além da retórica, visava a preparação do homem como cidadão capaz de definir os rumos da sociedade. Apesar da diferença cronológica, o processo de ensino ainda é visto como instrumento capaz de gerar transformações no contexto social de uma nação, em especial o Brasil. Nesse sentido, impera analisar de que modo a questão educacional traz resultados positivos para a comunidade geral, seja pelo processo de integração ao coletivo, seja pela inclusão no mercado de trabalho e retornos socioeconômicos.

Inicialmente, é fato que os meios disseminadores de conhecimento são responsáveis por inserir os indivíduos dentro dos mecanismos da sociedade. Para o sociólogo francês Émile Durkheim, a escola, depois da família,  é a principal instituição responsável por moldar e integrar os jovens ao corpo social do qual fazem parte. Embora seja um ponto pertinente, é válido salientar que o processo educacional, sobretudo no conexto tecnológico e multidisciplinar atual, não se restringe à sala de aula, mas também aos conteúdos vindos de redes sociais, sites, obras artísticas e outros. Nesse sentido, ao situar o cidadão na sua realidade explicando as possibilidades de caminhos de desenvolvimento pessoal, o indivíduo se afasta da situação de marginalização e contribui para redução dos índices de desigualdade socioeconômica e cultural, além dos de violência. Logo, a educação pode ser ferramenta para transformar a situação real da pessoa, bem como modificar as porcentagens relevantes.

Outrossim, os ganhos financeiros advindos de vagas de trabalho são elementos que possibilitam uma superação de condição econonômica particular. Segundo o ganhador do prêmio Nobel da economia, James Heckman, iniciativas sociais ligadas à educação são instrumentos capazes de romper o ciclo da pobreza e superar vulnerabilidades sociais. Haja vista a competitividade do mercado trabalhista, destacam-se aqueles que, por terem conhecimentos e habilidades para agir coerentemente, ocupam as melhores vagas de emprego. Com disponibilidade financeira, essas pessoas podem investir em projetos sociais nas comunidades, de modo a ampliar mudanças na sociedade.

Portanto, medidas são necessárias para assegurar o acesso à educação a todos, seguindo a lei máxima do Brasil. Assim, é fulcral que a parceria Estado, família e sociedade seja efetiva no que tange ações que mantenham o ensino público e de qualidade para a população, especialmente à parcela mais necessitada. Para tal, a associação dos agentes deve garantir, essencialmente, o transporte à escola, cuja falta é empecilho à ida para essa, além do acesso à internet, fundamental ao processo de aprendizagem.Só assim haverá formação de cidadãos ativos, tal como os jovens atenienses.