O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 23/04/2021
Pintada a óleo em 1928, a tela “Abaporu” marca a fase antropofágica de Tarsila do Amaral com cores fortes e denúncias sociais pertinentes. No quadro, a artista altera a realidade ao pintar um ser com uma cabeça reduzida, traço que indica a falta de educação formal e, consequentemente, de pensamento crítico no cenário nacional. No século XXI, o clássico modernista ainda é uma metonímia de uma lamentável realidade brasileira: o preterimento do valor da educação. Assim, é interessante discutir tanto a importância educacional para transformações sociais quanto o principal motivo da não efetivação plena desse direito no Brasil.
Para entender, de início, a relevância que o setor educacional agrega às transformações sociais, em território nacional, vale à pena levar em consideração os estudos teóricos de Paulo Freire. De acordo com o sociólogo, nesse sentido, “a formação educacional se realiza, de fato, quando o sistema se molda às fundamentações dos oprimidos e estabelece uma pedagogia dialógica emancipatória”. Com base nisso, é notória a relação direta que se estabelece entre a educação e o processo de emancipação social, visto que aquela deve sempre funcionar em função deste. Isso deixa claro que o caminho educacional é, sem dúvida, o melhor percurso a ser traçado para que o povo brasileiro transcenda desigualdades históricas e alcance a urgente “consciência crítica”, referenciada por Freire.
Por outro lado, não há espaço para contestações: o acesso à educação de qualidade é ainda um privilégio, realidade que submerge o Brasil em um mar de desigualdades. Com efeito, não é por outra razão que historiadores, desde Caio Prado Júnior até Darcy Ribeiro, defendem que as falhas educacionais atuais, assim como o subdesenvolvimento brasileiro, são um projeto, e não uma etapa para um suposto desenvolvimento. Prova disso, infelizmente, é o fato de que o Brasil, mesmo sendo a 12º maior economia do mundo, segundo o Fundo Monetário Internacional, ocupa a última posição do Anuário de Competitividade Mundial (2020) no quesito educação. Com essas condições, um quadro de transformações sociais efetivas torna-se apenas uma utopia distante.
Portanto, faz-se mister ir à origem da defasagem educacional, a fim de que o Brasil, finalmente, progrida. Dessarte, o Poder Legislativo Municipal, representado pelos vereadores, deve exigir ao Executivo, prefeito e secretarias, o cumprimento integral das leis que protegem a educação. Isso pode ser alcançado por meio da criação de um projeto municipal que estreite as relações entre os dois poderes no que tange a uma fiscalização bem direcionada aos focos do problema educacional de cada município e a uma previsão de novas metas que visem a uma melhor gestão educacional, para que o país, de fato, melhore. Afinal, as análises de Tarsila, Paulo, Caio e Darcy não podem ter sido em vão.