O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 24/04/2021

“Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo”. Tal frase foi expressa pela ativista paquistanesa Malala Yousafzai, importante símbolo na luta pelo direito à educação feminina. Desse modo, assim como exposto por ela, percebe-se que a valorização de um ensino de qualidade é fundamental para a ocorrência de transformações sociais no Brasil. Nesse sentido, é necessário analisar como o desenvolvimento de uma didática conscientizadora contribui para que essas mudanças tornem-se realidades no país, como a mobilização popular em prol do bem-estar coletivo.

A priori, é válido ressaltar que a educação representa um fator indispensável para que as transformações socias ocorram no Brasil. Tal perspectiva baseia-se na teoria do pedagogo Paulo Freire, o qual afirma que as escolas devem adotar uma “educação conscientizadora”, a qual valorize a formação crítica dos alunos, em detrimento a um ensino alienante e conteudista. Dessa forma, essa metodologia permite que o indivíduo torne-se mais consciente da sua realidade e do seu papel fundamental na sociedade. Com base nessa convicção, nota-se que essas instituições devem priorizar didáticas que motivem o estudante a refletir, questionar e pensar sobre a atual conjuntura nacional, marcada pela desigualdade socioeconômica e cultural, pela intolerância e pela falta de mobilização da comunidade. Só assim será possível formar cidadãos mais tolerantes e capazes de se organizarem para promover mudanças que garantam o acesso a todos os sujeitos aos seus direitos constitucionais.

Ademais, é importante destacar que a educação é imprescindível para as transformações sociais no Brasil, uma vez que promove a conscientização em relação a apatia da comunidade. Tal concepção está relacionada à teoria da “Microfísica do poder”, do filósofo Foucault, o qual afirma que os novos mecanismos de poder ultilizam seus controles sobre as informações para manipular os comportamentos dos indivíduos. Dessa maneira, esses sujeitos, por serem acríticos, tornam-se “corpos dóceis”, ou seja, são facilmente influenciados pelo grupo dominante. A partir disso, observa-se como o ensino de qualidade é fundamental para libertar e alterar esse cenário atual, pois permite que os cidadãos tenham conhecimento dos seus direitos e, assim, possam exigir suas garantias. À vista disso, ocorre a formação de uma população mais consciente e, portanto, capaz de superar a “docilização”.

Logo, para que a educação seja valorizada, o Estado tem que melhorar o ensino público mediante parcerias com empresas nacionais que auxiliem na construção e na melhoria da infraestrutura das escolas. Além disso, é preciso investir na formação dos professores que, além de ganharem um ajuste salarial, devem receber cursos de capacitação, os quais ajudem na criação de metodologias de ensino adaptadas a realidade dos alunos, a fim de se formar cidadãos mais conscientes e participativos.