O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 27/04/2021
Em o “Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso do século XVI. Fora da ficção, O Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere ao constante negligenciamento da educação como base para transformações sociais. Diante dessa perspectiva, percebe-se a configuração de um grave problema em virtude de um silenciamento do tema e uma formação familiar lacunar.
Em primeiro plano, evidencia-se que a falta de debates é um grande responsável pela complexidade do problema. Nesse sentido, Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que um problema como o da desvalorização do papel do ensino nas transformações sociais brasileiras seja resolvida, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma falha no que se refere essa questão, que ainda é muito silenciada, principalmente para que estruturas de podem sejam mantidas, por exemplo, empresas que colaboram com uma priorização financeira individual desprezando uma maior contribuição para construção de um sólido sistema educacional. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.
Outrossim, uma precária formação familiar ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz e influencia personalidades humanas. Sob essa ótica, o problema da desconsideração da educação nas mudanças sociais do Brasil apresenta-se como um pensamento popular passado de geração em geração, o que dificulta seu extermínio por forças externas, uma vez que o problema figura dentro das casas brasileiras, estendendo-se por uma longa linha do tempo.
Sendo assim, é indispensável a adoção de medidas capazes de assegurar a alteração desse cenário. É fundamental, portanto, a criação de ações que popularizem o efeito que os antepassados têm sobre a forma de pensar da sociedade atual, pelo Ministério da Educação, em parceria com o Ministério Público. Tais ações devem ocorrer por meio de vídeos nas redes sociais, apontando a responsabilidade e a importância que a família tem na formação de uma opinião coletiva e dos indivíduos enquanto seres singulares; além de relatos de experiência, dados estatísticos, visando a quebra de paradigmas socialmente alimentados e a popularização de discussões sobre o assunto. Desta maneira, é possível que a desvalorização da educação nas transformações sociais permaneça no passado brasileiro.