O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 26/04/2021
Para o filósofo francês Michel Foucault, o ser humano integra duas composições além da biológica, que são as partes psicológica e sociológica, as quais encontram pleno desenvolvimento mediante a educação, tendo em vista as transformações sociais. Assim, o valor desse direito inalienável se estende à formação cidadã do sujeito e à promoção da igualdade e da democracia no corpo social. Logo, medidas devem ser levantadas e efetuadas com o objetivo de ampliar o contexto de ensino no Brasil.
Primeiramente, o processo educacional é inerente ao indivíduo, no que tange a sociabilização, ou seja, a boa integração social, cultural e cognitiva em relação à comunidade a qual pertence. Desse modo, de acordo com a Constituição Federal, a educação tem por finalidade o preparo do educando para o exercício da cidadania. No entanto, esse cenário, infelizmente, não se concretiza integralmente, visto que o ensino brasileiro ainda se encontra nos moldes antigos de aprendizado: hierarquização entre o corpo docente e discente e mera exposição do conteúdo. Então, esse contexto de “educação bancária” e subjugação dos alunos vai de encontro à “verdadeira aprendizagem” proposta pelo pedagogo pernambucano Paulo Freire. Como resultado, os direitos são suprimidos, as formações psicológica e a sociológica não são concretizadas e as transformações sociais pelo cidadão são interropidas.
Ademais, o ambiente de ensino deve promover a igualdade entre os indivíduos e, consequentemente, a prática da democracia em lugares extra-escolares, com exemplos aprendidos nessas instituições educacionais. Assim sendo, a educação toma o papel principal para a conscientização do indivíduo, segundo a filosofia freiriana, podendo extravasar da sala de aula, por intermédio de exercícios transformadores da sociedade em que se está inserido. Porém, esse ideal do aprendizado não condiz com a realidade, visto o vasto contigente em situação evasão escolar. Dessa maneira, o “êxodo” educacional se encontra em aproximados 730 mil crianças que não usufruem do direito constitucional ao estudo, conforme dados do Instituto de Pesquisa Brasileiro. Dessa forma, essas crianças e adolescentes têm seus papéis de transformadores ativos da sociedade e os direitos tomados.
Portanto, é indispensável a valorização a educação brasileira para transformações positivas na sociedade. Por isso, o Ministério da Educação, agente de elaboração das políticas educacionais no Brasil, deve tornar o ensino nas condições da “verdadeira aprendizagem” e impulsionar a inserção de crianças em evasão escolar. Isso será possível, por meio de investimentos em novos métodos de ensino (evidenciando a prática no cotidiano), além de oferecer suportes básicos para a permanência dos alunos nos centros educacionais (bolsa-escola, refeições, esportes). Feito isso, os direitos previstos pela Constituição serão cumpridos e a plena formação humana, segundo Foucault, será favorecida.