O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 27/04/2021

O livro “Quarto de Despejo: diário de uma favelada” ,de Maria Carolina de Jesus, retrata o dia a dia, desde a infância, da autora que era catadora de papel e ,por meio da literatura e escrita, teve sua vida transformada socialmente, de modo que ela fosse “liberta” da opressão que vivia. Análogo a isso, percebe-se o quão transformadora é a educação, e como ela é uma poderosa ferramenta de inclusão e  ascensão social. Diante disso, esse instrumento desenvolve cidadãos conscientes e críticos, contudo esse meio educacional sofre, no Brasil, uma precarização, dificultanto esse processo positivo.

A princípio, a educação transformadora torna o indivíduo um ser de protagonismo social, no qual terá responsabilidade coletiva sobre a construção da cidadania, de forma plena. Esse viés ocorre quando há uma descentralização do currículo, isto é, quando a Instituição Educacional não torna o aluno um receptor de conteúdos, mas sim de conhecimentos críticos que visa a reflexão dele com os problemas sociais. À luz disso, o sociólogo “Florestan Fernandes” afirma que um povo educado não aceitaria as condições de miséria e desemprego. Logo, a educação tem um valor de construir no ser humano uma visão de ética e de luta contra a pobreza e a fome, por exemplo, pois a instrução e o conhecimento torna o homem ativo na busca de oportunidades e de libertação para os que vivem em opressão. Assim, cabe a escola oferecer essa educação diferenciada que molde criticamente o sujeito.

Outrossim, as escolas estão em estado de marginalização, seja com infraestrutura ou ensino precário e ,com isso não cumpre a função de troca de valores e conhecimentos ideais para uma formação transformadora na vida do estudante. Sob essa ótica, é visível ,no país, a discrepância do ensino público e privado, porque há uma desigualdade na distribuição de renda, segundo a FUNDEB-responsável pelo financiamento da educação pública. Isso segrega uma ferramenta que consta na Constituição cidadã como um meio essencial,além de ser dever do Estado.Nesse sentido,a precarização torna o aluno refém de uma classe elitizada e sendo submetido a uma opressão social.

Portanto, para a educação seja um potencial transformador, cabe ao Ministério da Educação (MEC), junto às escolas, reformular a grade currícular do ensino, por meio da implementação de uma metodologia didática e ampla, a cada perfil de aluno, já que cada estudante contém um meio sócio cultural histórico diferente. Ou seja, deve haver uma grade baseada em uma educação mais crítica e mais reflexiva e não baseada apenas em conteúdos, a fim do meio educacional ser realmente um instrumento de ascensão e inclusão social, como foi com Carolina Maria de Jesus. Ademais, o Governo Federal, junto ao MEC, deve direcionar ,de maneira mais igualitária, à FUNDEB uma renda que possa ser ideal para manutenção de um ensino de qualidade,todo mês, a fim de não sucatear o ensino.