O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 23/05/2021

O sociólogo Thomas Marshall argumenta que um indivíduo alcança o caráter de cidadão quando tem seus direitos plenamente assegurados pelo Estado. Entretanto, tal ideal não é verificado no Brasil do século XXI, uma vez que a educação - embora seja essencial no processo de transformação social e um direito humano fundamental - ainda enfrenta impasses no que diz respeito à sua modernização e democratização, o que representa um entrave para a cidadania brasileira. Nesse viés, é lícito inferir que a defasagem do sistema de ensino de algumas escolas e a desigualdade social são causas do quadro supracitado.

Mormente, ao analisar o valor da educação nas transformações sociais, nota-se como o obsoleto ensino tradicional dificulta o progresso cognitivo do país. Nesse contexto, um artigo publicado pelo portal Conexia Educação defende que a Educação Transformadora - metodologia ativa de aprendizado – contribui para a emancipação intelectual dos alunos. Contudo, ao priorizar uma grade curricular conteudista em detrimento da educação cidadã e autônoma, muitas escolas, ao invés de migrarem para o método apontado pelo Conexia, dão continuidade ao modelo retrógrado de pedagogia. Desse modo, o potencial educacional transformador é dificultado pelo método atrasado de uma parcela das escolas brasileiras.

Outrossim, vale ressaltar que a desigualdade social é outro obstáculo para o uso da educação como agente de transformações na sociedade. Segundo dados do Tesouro Nacional, atualmente, há um baixo investimento em infraestrutura, o qual configura-se como o menor em 10 anos. Nessa lógica, a precariedade da infraestrutura de muitas escolas públicas acaba por afetar a qualidade do ensino ofertado para a população de menor renda. Por conseguinte, a disparidade entre a educação pública e a privada – agravada pela carência de investimentos estatais – contribui para a segregação intelectual da população mais pobre, o que impede a ação transformadora da educação na vida dos alunos menos abastados financeiramente.

Portanto, é evidente a necessidade de eliminar os problemas educacionais apresentados. Para tanto, urge que o governo federal, em parceria com o Ministério da Educação, crie o programa “Educar para Transformar” (EPT), por meio de verbas governamentais, a fim possibilitar a reforma institucional – a partir da adoção da metodologia da Educação Transformadora, que contará com aulas dinâmicas e ensino prático - e na infraestrutura das instituições. Além disso, o EPT deve atuar em escolas públicas de todo o país – sobretudo, em zonas que concentram a população mais pobre. Feito isso, o ideal de Marshall será, enfim, convertido em realidade.