O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 19/07/2021

No filme “O menino que descobriu o vento”, a personagem William descobre, através dos estudos, um método de gerar energia eólica nas terras secas do Malawi para garantir a sobrevivência da população. Fora da ficção, observa-se uma analogia com a realidade do Brasil, uma vez que a educação exerce papel indispensável nas transformações sociais. Com isso, é necessário analisar a principal relevância do ensino educacional nas modificações da sociedade, bem como a maior barreira que o impede de acontecer.

Em primeira instância, é válido pontuar a educação como o melhor caminho para mudança social, pois, ao tomar como base os estudos do educador Paulo Freire, o objetivo maior da pedagogia educativa é conscientizar os alunos e formar criticidade neles. A partir desse viés, constata-se que as escolas devem ser locais de desenvolvimento de capacidades cognitivas, afetivas e sociais e da identidade de cada indivíduo. Desse modo, segundo o ativista Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo, ou seja, para reconhecer e denunciar as mazelas brasileiras que atingem as minorias, os estudantes devem olhar para o sistema educacional como ponto de partida para transformá-las e não como o fim.

Convém pontuar, ainda, que o acesso desigual à educação no Brasil impossibilita a ocorrência das mudanças no corpo social. Tal cenário crítico não é recente, pois durante a Colonização do país, os portugueses recebiam ensinamentos mais ricos e aprofundados do que os recebidos pelos índios. Sob esse prisma, ao comparar esse período com o Brasil atual, nota-se que o ensino é emitido de forma heterogênea no território e exclui uma parcela da população invisível socialmente. Prova disso é uma pesquisa feita em 2019, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, em que cerca de 1,1 milhão de crianças entre 4 e 17 anos estavam fora da escola, o que ratifica uma desigualdade social presente no âmbito educacional.

Infere-se, portanto, tamanha seriedade da educação para as modificações sociais, porém há um contraste no acesso à mesma. Logo, as escolas, como base da formação do indivíduo,  devem discutir acerca da função educacional para essa temática, por meio de trabalhos em salas de aula e de apresentações teatrais, para que esse assunto seja abordado com o rigor da ciência e com o olhar sensível da arte. Ademais, o Ministério da Educação deve prover às comunidades carentes um assistencialismo educacional fixo ou domiciliar, através de pessoas letradas em educação, a fim de expandir os ensinamentos sobre mudanças na sociedade. Assim, casos como o de William acontecerão com mais frequência no território nacional.