O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 18/07/2021
No filme arcadista “Sociedade dos Poetas Mortos” é retratado como um professor estimula o pensamento crítico e autônomo dos seus alunos e os ajuda a ter visões de mundo diferente da época conservadora, o que o faz ser perseguido pelos superiores da instituição. Em consonância com a realidade, ainda não temos a valorização da educação como parte importante para as transformações sociais no Brasil. Nesse âmbito, faz-se necessário analisar como a ignorância da população, atrelado com o nosso sistema de produção faz com que a realidade dos educadores seja tão semelhante à obra.
Em primeira análise, a falta de acesso à informação das pessoas que não fazem parte da conjuntura educacional dentro da nossa sociedade nos impede de termos transformações sociais efetivas através da educação. Isso acontece porque a mudança no ensino tradicional assusta muitos pais que refletem a polarização política nas salas de aula e ignoram dados e novos estudos de como a educação pode ajudar em muitas transformações sociais. Semelhantemente, a filósofa Márcia Tiburi vai nos trazer a teoria de que os preconceitos são sustentados pela economia psíquica -a displicência para sair da “zona de conforto” de seus conceitos- das pessoas, e é usada como objeto para distorcer a realidade e generalizar como desnecessária as mudanças na educação para transformar a sociedade. Fica claro, que a ignorância da população impede a valorização da educação transformadora.
Em segunda análise, ressalta-se que o nosso sistema de produção capitalista também é um fator que dificulta as transformações sociais através da educação. Para entender tal apontamento, é válido mencionar o pedagogo brasileiro Paulo Freire que, em suas obras, nos traz a concepcção de que nós temos uma educação bancária, que é burguesa e depositadora de conhecimento, a qual forma apenas operários. Dito isso, as empresas acabam se beneficiando com os trabalhadores que não possuem o estímulo ao pensamento crítico e aceitam condições subalternas de trabalho e mantém uma estrutura social que beneficia poucos e prejudica muitos. Logo, é evidente que o sistema não está interessado em transformações sociais, por isso deturpa o sentido da educação transformadora.
Portanto, cabe ao Ministério da Educação divulgar informações, através de vídeos educativos e curtos, nos principais meios de comunicação, como instagram, sobre como funciona a educação transformadora, como ela é importante e beneficente para maioria da população e como ela vem dando certo em outros países. Ademais, as instituições de ensino, junto com o MEC deve indagar o pensamento crítico desde o ensino fundamental, colocando matérias como sociologia e filosofia nas grades curriculares, a fim de estimular mais cedo a autonomia do pensamento e evitar a economia psíquica da população e a desvalorização do seu trabalho.