O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 16/07/2021
A Campanha da Fraternidade, movimento realizado pela Igreja Católica desde 1962, busca trazer à tona, anualmente, temas que precisam ser debatidos e refletidos. O tema de 2015, “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, tem como discussão principal a importância da escola nas mudanças de que o mundo precisa. Nesse contexto, na realidade brasileira no que tange o valor da educação nas transformações sociais no país, percebe-se a configuração de um grave problema que é causado, principalmente, pelo sistema educacional retrógrado e pela desigualdade social.
Em primeira análise, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil ocupa a oitava posição dentre os países com a pior desigualdade de renda. Com relação a isso, é evidente a falta de investimentos do governo na diminuição da grande diferença de poder aquisitivo de acordo com classe social no país, configurando assim um entrave direto na valorização da educação. Afinal, em um contexto de desigualdade, discriminação e crescimento da violência, começar mudanças pela escola não é só importante, mas essencial. Paulo Freire, importante educador e filósofo, já confirmou essa relevância quando afirmou que sem a educação a sociedade não muda. Contudo, é fácil reconhecer que essa importância não é tão reconhecida, prejudicando assim a evolução da sociedade.
Outrossim, é necessário analisar que a Era da Modernidade se caracteriza pelas descobertas em um ritmo acelerado. Entretanto, na realidade educacional brasileira, a educação não evoluiu junto com o resto da sociedade, tendo em vista que o mesmo método de ensino utilizado a 50 anos ainda é utilizado sem modificações. Em consequência, uma geração de estudantes que estão presos aos antigos métodos de ensino, focados somente na aprovação dos vestibulares, são prejudicados pelos diversos talentos que o sistema educacional deveria reconhecer, e que ao negligencia-los, forma-se uma problemática de questionamento. Afinal, se não há incentivo aos talentos modernos, não há por que entender o valor do meio nas transformações sociais. As mudanças, então, não devem começar só pelas causas, mas também pela própria necessidade de se entender essa importância.
Dessa forma, urge que o Ministério da Educação desenvolva uma mudança nos processos seletivos pelo país, trocando os vestibulares únicos por processos seletivos que observam histórico escolar, trabalhos voluntários e atividades extracurriculares como critério para aprovação, com o objetivo de modernizar o sistema pela alternância de foco entre uma prova específica para toda uma vivência escolar. Além de projetos de disponibilização de cursos técnicos grátis em todo o país, com o propósito de diminuir a desigualdade social por meio da educação, de forma que, pouco a pouco, a frase de Paulo Freire realmente faça sentido e a Campanha da Fraternidade saia do cartaz e alcance o país e o mundo.