O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 16/07/2021
A filosofia Freiriana, entre várias outros conceitos, fundamenta que professores e alunos dialoguem entre si, mantendo uma postura curiosa e indagadora, onde ambos os lados ensinam e aprendem com as experiências de vida de cada um. Posto isso, ao contrário do que a filosofia do pedagogo Paulo Freire prega, nota-se na sociedade brasileira a falta de criticidade e de transformações sociais, devido, principalmente, ao modo de ensino tradicional e às desigualdades socioeconômicas no Brasil.
Convém destacar, a princípio, que o modo de ensino tradicional não estimula os alunos a desenvolverem seu senso crítico, visto que esse, muitas vezes, não fornece debates sobre a origem das relações sociais, a fim de que os discentes entendam a razão das consequências que agem sobre ele e sobre outras pessoas de diferentes modos de vida. Sendo assim, o sistema acadêmico não proporciona aos estudantes a possibilidade de criação e desenvolvimento de senso crítico, implicando em cidadãos sem a capacidade de pensar ou de avaliar políticas que podem ser prejudiciais à população.
Outro aspecto a ser abordado é a desigualdade existente em vários âmbitos na sociedade. Segundo uma pesquisa feita pelo IBGE em 2019, os dois maiores motivos para a evasão escolar era de que precisavam trabalhar e de que não tinham interesse em estudar. Nesse sentido, é evidente que a condição socioeconômica desse grupo de pessoas influencia, visto que esta parcela da população tem de escolher entre direitos básicos: de educação e de sobrevivência (alimentação, moradia e outros). Sabendo que a educação é transformadora e uma base fundamental para o desenvolvimento da cidadania, a falta dessa é uma razão direta da inércia social.
É evidente, portanto, que tais entraves precisam ser solucionados. Ainda segundo as estatísticas de 2019 coletadas pelo IBGE, a falta de interesse dos discentes pode ser uma das consequências do ensino tradicional, logo, como uma solução, se faz necessário a implementação do modelo escolar Freiriano, de forma que este entretenha o aluno, da mesma forma que aguce sua criatividade, criticidade e curiosidade, a fim de que obtenha-se indivíduos mais politizados, conscientes e críticos. Essa intervenção prevê transformações sociais, pois, de acordo com a máxima de Nelson Mandela, a educação é a arma mais poderosa que se pode usar para mudar o mundo.