O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 19/07/2021

No filme Sociedade dos Poetas Mortos, um professor de literatura estimula seus alunos, de uma escola muito tradicional e conservadora, a desafiarem seus próprios limites e usar a escola como meio de se conhecer e perseguir seus sonhos. De maneira sentimental, essa obra mostra o valor que a educação pode ter não só na vida pessoal, como também nas transformações sociais. A partir desse contexto, urge analisar o papel da educação como caminho para a episteme e a falibilidade da pedagogia amplamente usada no Brasil.

Com efeito, é fundamental discutir o protagonismo da educação na passagem da doxa para a episteme, a verdade. No famoso Mito da Caverna, do filósofo Platão, narra-se que transposição do pensamento pautado em opiniões e senso comum só pode ocorrer por meio da razão e do contato com o conhecimento. Sob essa ótica, o caminho que vai levar as pessoas à luz, símbolo do pensamento racional e da liberdade proporcionada por ele, é a educação. O professor, no papel de filósofo, deve guiar seus alunos em uma jornada de questionamentos e descobertas, transmitindo informações de maneira ativa, para que cada estudante possa aplicar o que foi aprendido de forma crítica na sua participação política. Essa habilidade é de extrema importância, pois é o uso do conhecimento, e não de opiniões sem embasamento, que impulsiona as transformações sociais necessárias para o país.

Ademais, é lúcido perceber que o método pedagógico utilizado no Brasil não forma estudantes críticos e questionadores, em vez disso, busca apenas o depósito de informação. Esse tipo de educação foi chamado por Paulo Freire de “educação bancária”. Nessa visão, o aluno é mero receptor e o professor assume a tarefa de informar, apenas. Essa pedagogia burguesa e depositora perpetua a ideia da escola como um lugar para memorizar fatos e equações, ajuda a manter a população ignorante de seu poder nas decisões políticas e serve como mais uma ferramenta para preservar as novas gerações alienadas e passivas. Dessa forma, observa-se que é necessária uma mudança na forma de ensinar para que o objetivo da educação como guia para a episteme seja alcançado.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação e às escolas em território brasileiro utilizar a educação como parte essencial das transformações sociais. Isso deve ser feito por meio da adoção da “educação libertadora” de Paulo Freire como o modelo de ensino nacional, o qual volorizará e atenderá as particularidades de cada estudante, incentivando a prática esportiva, a produção artística, a pesquisa científica e o uso positivo da tecnologia. Tal medida deve ser tomada com o intuito de proporcionar ao corpo discente da nação a possibilidade de ser protagonista em sua vida acadêmica, tal qual ocorrido com os estudantes da obra cinematográfica Sociedade dos Poetas Mortos.