O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 19/07/2021
A mudança de trágico e desesperançado até admirável e respeitado na comunidade da Vila Pedras. Essa é a trajetória transformadora abordada no conto “A História de um Olhar” que, sob autoria da jornalista Eliane Brum, retrata a mudança de Israel Pires possibilitada pela educação de qualidade. Analogamente ao cenário literário, o valor essencial da educação para as modificações sociais, embora observado no contexto real, é, hoje, nitidamente limitado no Brasil. Sob tal ótica, é crucial ir às principais origens dessa grave prerrogativa que assola o sistema de ensino brasileiro.
Em primeira instância, é válido ressaltar, como fator limitante do potencial da educação, os princípios elitistas de origem colonial acerca do ingresso no âmbito de ensino. Em 1808 - fase histórica definida pelo refúgio da família real portuguesa na próspera colonia americana - Dom João VI inaugurou a primeira universidade no Brasil que, pautada pela desigualdade, era restrita ao ingresso das elites agrárias. Com base nesse contexto, a manutenção, entre as instituições escolares e universitárias, do perfil excludente cerceia o acesso igualitário a esse sistema e, por conseguinte, transformações efetivas na população. Sendo assim, a inacessibilidade, sobretudo atrelada às raízes da colonização, do programa educacional brasileiro, no que tange ao ingresso de setores sociais menos favorecidos economicamente, impede a concretização do propósito inovador exposto pela educação.
Ademais, o método educacional retrógrado, baseado em moldes tradicionais, compromete o êxito das transformações. Isso se dá porque, consoante ao filósofo Paulo Freire, a “educação bancária”, modelo adotado nas instituições de ensino, é definida confome a exposição de conteúdos pelo docente em detrimento da compreensão pelo aluno. A partir desse viés, a metodologia unilateral, determinada pelo acúmulo de conteúdos e ausência de reflexões acerca das informações, limita mudanças concretas nos indivíduos, sobretudo voltadas para o senso crítico. Tal fator é pertinente ao ponto de ser utilizado como estratégia dominatória de governos ditatoriais que, ao visarem à redução de contestações da população, restringem o acesso à educação baseada em reflexões.
Em suma, é fundamental combater a problemática atrelada ao setor educacional, a fim de promover transformações efetivas na população. Desse modo, urge que o Ministério da Educação, setor essencial do governo brasileiro, viabilize a inserção total da população nas escolas, bem como o progresso da metodologia empregada no sistema educacional. Isso será concretizado por meio de maiores orçamentos direcionamos para esse setor. Afinal, o êxito do propósito educacional abordado em “A História de um Olhar” deve ser ampliado para a sociedade brasileira contemporânea.