O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 20/07/2021

Segundo a Constituição Federal de 1988, é direito do cidadão o acesso à educação de qualidade. Entretanto, na realidade, a população brasileira enfrenta desafios, como a corrupção, que atardam o alcance comum e igualitário dessa condição de cidadania. Sendo assim, identifica-se a formação de indivíduos pela conduta familiar, além disso a ineficiência escolar no cumprimento dessa concessão política reflete na manutenção da atual ordem social, a qual é caótica e antidemocrática, muitas vezes.

Primeiramente, a educação familiar, em se tratando da sociedade nacional, pode ser questionada. Com isso, como já defendido pelo sociólogo brasileiro Sérgio Buarque de Holanda, com o conceito de “homem cordial“. A partir desse conceito, o autor explica que o homem brasileiro costuma usar seus valores familiares para delimitar o âmbito público, momento propenso à quebra da democracia devido à transmissão de valores e preconceitos pela sociedade. Logo, evidencia-se a propagação de uma educação que vai de encontro ao ideal constitucional, mantendo, se não for mitigada, a construção de cidadãos mais vulneráveis e com menos direitos por conta preconceitos relacionados a uma opção sexual, cor, renda ou aparência.

Outrossim, a negligência estatal é um ponto relevante para explicar ineficiente ação escolar na transformação da sociedade desigual brasileira. Fato é, não raro, que a secundarização da educação pública em face da realização individual política é responsável pela baixa infraestrutura e pouco investimento em profissionais capacitados para atuar no setor acadêmico, visto que, com a corrupção, há desvio de dinheiro público para outros fins. Consequência disso é o afastamento estudantil do interesse escolar, ainda que na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional seja exposto o dever da escola na interação social e trabalhista para com os alunos, comprovando a falha da maioria das instituições de ensino brasileiras a qual dificulta a superação da desigualdade social, por exemplo.

Ante o exposto, cabe ao Poder Público explicar a importância de separar as esferas pública e privada ao iniciar o processo de educação infantil, mediante propagandas midiáticas, com profissionais estudados acerca do tema em debates sobre a influência negativa dessa mistura do público e privado para vida em sociedade, a fim de permitir a vivência harmônica entre cidadãos, com menos preconceitos e crimes de ódio. Ademais, é dever da nação brasileira cobrar, dos representantes políticos, atitudes a favor da melhora da relação estudantil, como a construção de mais escolas com preparo e infraestrutura, de modo a tentar, futuramente, mitigar a desigualdade social.