O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 19/08/2021

Desde o período inicial de formação do território brasileiro, a educação exercia um papel fundamental na diferenciação social, uma vez que os indivíduos economicamente melhor colocados possuíam um ensino nobre e mais valorizado. Nesse ínterim, hodiernamente, o amplo antagonismo na oferta de uma educação qualificada entre grupos sociais, a qual é responsável pela transformação social de inúmeros estudantes, ainda persiste, seja pelo repasse estatal de um ensino excessivamente teórico, seja pela disponibilização de melhores estruturas educacionais em determinadas regiões mais ricas.

Em primeira análise, é indiscutível que a displicência governamental é uma das causas do problema em questão. Tal fato se associa com o pensamento do filósofo Immanuel Kant, segundo o qual o homem é o produto da educação que lhe é oferecida, sendo ela a responsável pela construção de seu caráter. Nesse sentido, em grande parte dos colégios públicos do país, o quadro de ensino acadêmico é repleto de conhecimentos teóricos e sem interdisciplinaridade, os quais não despertam um olhar crítico e criativo no aluno, fato que gera o considerável despreparo dos discentes à realidade prática e a anulação de uma melhora social de grandes expressões.

Outrossim, evidencia-se a concentração de melhores recursos e estratégias educacionais em locais específicos do Brasil. Isso se relaciona ao conceito de Região Concentrada, criado pelo geógrafo Milton Santos para designar os locais munidos dos maiores investimentos nacionais, os quais, consequentemente, possuem uma estrutura superior para proporcionar um ensino moralizante e que desperta todos os modelos de inteligência de maneira individual. Nesse viés, Espaços marcados pelo aglomerado populacional rico são os priorizados no direcionamento dos recursos, principalmente os ligados à educação, o que perpetua a exclusão de regiões humildes e corrobora o aumento de suas taxas de criminalidade, condicionadas pela carência de meios legais para viabilizar as mudanças sociais almejadas por essa minoria social.

Entende-se, portanto, a necessidade de mudanças substanciais no quadro em questão. A fim de atenuar a problemática, o Governo Federal deve instaurar investimentos direcionados à melhoria da qualidade da educação pública, por meio de alterações nas formas de ensino, as quais priorizem o autoconhecimento e a gestão consciente e proativa dos educandos, e a realização de reformas nas instituições de ensino, como a criaçãos de salas espaçosas e confortáveis, de quadras poliesportivas, de espaços teatrais e de ambientes nos quais a música também seja valorizada, para que a educação brasileira seja cada vez mais abrangente e acolhedora. Além disso, a correção progressiva dos desníveis econômicos entre as regiões do país é imprescindível para a democratização do ensino.