O valor da educação nas transformações sociais no Brasil

Enviada em 30/08/2021

A obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos, retrata a vida de uma família de retirantes fugindo da seca do nordeste brasileiro. O romance aborda várias questões sociais, entre elas a ausência de escolarização da família. Tal carência é evidenciada no pai, Fabiano, que se queixa não poder “falar bonito” como o patrão e, por conta disso, este engana-o no pagar o salário. A obra de Graciliano, de certa forma, retrata a realidade de muitas famílias brasileiras que têm a possibilidade de transformação social suprimida decorrente da desvalorização do investimento público educacional e na baixa atratividade do modelo pedagógico atual.

Primordialmente, o direito a educação é assegurado pela Constituição Federal no artigo 6.º, sendo assim, todo e qualquer cidadão deveria ter a sua disposição um ensino público de qualidade. Contudo, dados do IBGE mostram que 20% dos alunos que concluem o ensino fundamental não têm o domínio da leitura e da escrita. Seguramente, a principal causa relacionada para esse dado é o baixo investimento estatal na educação. Segundo a organização Todos Pela Educação, entre 2014 a 2018, houve uma redução de mais de 50% do investimento governamental na pasta da educação e a tendência é que haja mais cortes.

Conseguintemente, como resultado do levantamento anterior, o estímulo ao aprendizado dos alunos é desconsiderado em virtude do baixo investimento em tecnologias educacionais, ficando limitado ao modelo pedagógico que não busca a introdução da realidade do estudante ao conteúdo aplicado. No livro A Alfabetização de Adultos, o educador Paulo Freire decorre sobre duas formas de educação, a primeira, visando a “domesticação”, em que consiste o ato de transferir “conhecimento” de forma repetidora, sem a preocupação de entendê-los ou relacioná-los, que é o atual modelo pedagógico, e a segunda, que todos os objetos de mundo do aluno são usados para instigar o conhecimento e a  sua consciência crítica, modelo que o educador chamou “libertação”.

Portanto, pelas problemáticas pontuadas, ficam imprescindíveis modos de modificação desse contexto. Para isso, cabe ao Poder Executivo, mediante o Ministério da Educação, aumentar os investimentos conscientes de infraestrutura nas escolas públicas, visando o desenvolvimento da qualidade de ensino em áreas mais afetadas, em que apresentam os piores índices de aprendizado como também os maiores de evasão escolar. Ademais, com o apoio do Congresso Nacional, estudar modelos de ensino que conversem com a realidade da criança e do adolescente, correlacionando todas as matérias de aprendizado com a atual situação social do aluno. Dessa maneira, só assim, a educação poderá transformar a vida das pessoas, evitando que outras realidades como a de Fabiano existam.