O valor da educação nas transformações sociais no Brasil
Enviada em 07/10/2021
“É possível fazer educação de qualidade sem escola” diz Tião Rocha, educador, antropólogo e uma das principais referências contemporâneas em ensino e cultura popular no Brasil. Para ele, uma boa educação se faz com bons educadores e o modelo escolar tradicional brasileiro é arcaico, aprisiona o professor, o aluno e há décadas dá sinais de falência. Se a educação transforma indivíduos em cidadãos e os cidadãos transformam a sociedade, de acordo com Paulo Freire, então urge o Brasil transformar a educação, desde os níveis mais elementares, para a superação dos desafios que o país enfrenta em todos os setores.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar a desvalorização do professor como ponte para o conhecimento e referência para o aluno, porque ainda está muito arraigado no âmbito da sociedade e dos nossos dirigentes, que o aprendizado se faz com a distribuição de livros didáticos, tablets ou celulares. Também, sendo ministradas as mesmas aulas do século passado e em espaços que mais parecem prisões, o que gera insatisfação tanto do educador como do educando.
Em segundo lugar, a educação deveria enxergar cada indivíduo com as suas potencialidades e aptidões individuais, com a inclusão e valorização não só dos alunos com facilidades em matemática, português ou ciências, mas também, em expressões artísticas como música, dança, esporte, entre outras. Com isso, os alunos, principalmente os jovens, pela curiosidade, pelo desejo participativo e pela valorização da sua autoestima, teriam mais interesse pelos estudos, por conseguinte, a evasão escolar diminuiria.
Então, torna-se clara a necessidade de uma mudança radical nos padrões do sistema educacional brasileiro. Para tanto, o Governo Federal no papel do Ministério da Educação e Cultura, junto às parcerias com instituições privadas, devem fomentar a valorização do ensino por meio do investimento no material humano. No tocante aos professores, com o aumento de seus salários, criação de planos de carreira e inclusão de benefícios no setor da saúde, da qualificação, da cultura e do lazer. Bem como, para os alunos uma atenção especial e individual, com a inclusão de atividades lúdicas, artísticas, esportistas, tecnológicas junto às aulas de conhecimentos clássicos, sem deixar ninguém para trás. Quem sabe no futuro, teremos um Ministério mais que só da “Educação”, mas do “Conhecimento”, como preconiza Tião Rocha.